92,3% das participantes já utilizaram algum contraceptivo hormonal.
Entre os métodos mais usados:
Pílula: 59,7%
DIU hormonal: 13,7%
Injeção, implante e anel vaginal em menor proporção
Duração média de uso: 10,3 anos
Idade média de início: 20,7 anos
4. Principal achado: 58,8% relataram piora do lipedema após iniciar contraceptivos
Entre as 588 usuárias:
34,5% → piora grave
24,3% → piora leve
40,3% → nenhuma mudança
0,9% → melhora
A distribuição foi estatisticamente significativa (p < 0,001).
5. “ 15,1% relataram início dos sintomas exatamente após começar o contraceptivo
Segundo análise de linguagem natural, 96 mulheres relataram que os sintomas começaram no mesmo período em que começaram contraceptivos.
Outros gatilhos: Puberdade: 39,7%, Indeterminado: 28,1%, Gravidez: 11,6%, Menopausa: 5,5%.
Esse achado reforça forte plausibilidade temporal, embora não prove causalidade.” – Explica o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema, que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).
6. Efeitos colaterais associados a maior risco de piora
Nem todo “óleo de peixe” ou “ômega-3” tem quantidade útil de EPA/DHA: o importante é a soma desses dois ácidos graxos por dose.
Procure por suplementos que informem claramente quantos miligramas de EPA + DHA há por cápsula/dose.
Idealmente, a dose por cápsula deve fornecer uma quantidade significativa — isso ajuda a atingir a ingestão diária recomendada sem ter que tomar muitas cápsulas.
• Prefira fontes confiáveis (pureza e certificações)
Como o óleo de peixe vem do mar, pode haver risco de contaminação por metais pesados, PCBs ou dioxinas — especialmente se a matéria-prima for de baixa qualidade.
Verifique se o produto tem certificações de pureza e testes independentes de contaminantes.
Óleos provenientes de peixes menores e de águas menos poluídas costumam ser uma opção mais segura.
• Preste atenção à forma do óleo e estabilidade
Óleos de peixe podem ser apresentados em diferentes formas químicas — algumas mais bem absorvidas pelo corpo do que outras.
Prefira formulações de boa bio-disponibilidade e bem estabilizadas contra oxidação. Alguns fabricantes adicionam antioxidantes naturais para preservar o óleo.
• Considere suas necessidades pessoais
O que define a dose “ideal” depende do perfil de saúde, alimentação e objetivos (manutenção, saúde cardiovascular, cérebro, inflamação, etc.).
Quem consome pouco peixe ou tem dieta pobre em gorduras boas pode se beneficiar mais com suplemento.
Para alguns objetivos específicos (como controle de triglicerídeos, inflamação, saúde cerebral) pode fazer sentido doses maiores, sempre com orientação profissional.
• Confie em marcas transparentes e com boas práticas
Um bom óleo de peixe deve trazer no rótulo:
quantidades exatas de EPA e DHA
data de fabricação e validade
origem da matéria-prima (tipo de peixe, sustentabilidade)
certificados de pureza e controle de metais/poluentes
Evite produtos com descrições genéricas (“ômega-3”, “óleo de peixe”) sem detalhamento desses dados.
O que evitar ou questionar
Suplementos com baixo teor de EPA/DHA (quando a maioria da cápsula é “óleo genérico”) — pode exigir muitas cápsulas para alcançar dose eficaz.
Produtos sem certificações ou sem rótulo claro sobre pureza/contaminantes.
Óleos de origem duvidosa (peixes grandes que acumulam mercúrio, por exemplo).
Suplementação em excesso sem orientação: mais nem sempre é melhor — especialmente em casos de doenças, uso de anticoagulantes ou problemas de saúde.
Resumo prático: para escolher um bom ômega-3, vai além do nome “ômega-3” escrito na embalagem. Conte EPA/DHA, exija transparência de ingrediente e pureza, avalie se faz sentido para seu estilo de vida e saúde — e, se possível, converse com profissional de saúde para dose e necessidade ideais.
Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.
Um estudo australiano investigou até que ponto o lugar onde a pessoa vive influencia seu peso corporal (BMI) — comparado a fatores individuais.
Em outras palavras: o ambiente engorda ou emagrece?
E quanto disso é ambiente versus biologia, comportamento e características pessoais?
Método
Base de dados
Usaram o banco longitudinal australiano HILDA, acompanhando indivíduos entre 2006 e 2019
(mais de 99 mil observações).
Estratégia central
A pesquisa analisa pessoas que mudaram de endereço dentro da Austrália.
Se o local de destino tem média de peso maior ou menor, observa-se:
➡ O peso da pessoa converge para o padrão da nova região?
Se sim, significa que o lugar tem efeito real no BMI.
Abordagens utilizadas
Event study (estudo de evento) → analisa mudanças de peso antes e depois da mudança.
Decomposição estatística → compara áreas de maior vs. menor BMI, maior vs. menor desigualdade, densidade urbana, proximidade a mercados etc.
Modelos de comportamento → avaliam se o local influencia:
Isso sugere que mulheres “absorvem” mais o estilo de vida do local onde vivem — alimentação, cultura, disponibilidade de alimentos, infraestrutura etc.
3. Quanto maior for a distância da mudança, maior o impacto do lugar
O efeito só se tornou estatisticamente forte quando a pessoa mudou >100 km.
Movimentos curtos não alteram a influência do ambiente.
4. O ambiente influencia fortemente alimentação — mas não atividade física
➡ 57% da variação é explicada por onde a pessoa vive
(ß = 0,5704)
Consumo de comida pronta fora de casa
➡ Quase 50% influenciado pelo ambiente
(ß = 0,4981)
Atividade física
➡ Não houve influência significativa do ambiente
(ß = 0,2397; NS)
Conclusão importante: O ambiente molda o que a pessoa come, mas não quanto ela se exercita.
5. Regiões com acesso ruim a frutas/vegetais engordam mais
A decomposição mostra:
29,4% da diferença de peso entre áreas com pior acesso a frutas e vegetais é causada pelo ambiente
Isso reforça que ambientes “obesogênicos” existem — e pesam muito nos hábitos alimentares.
6. Maior densidade urbana → menor BMI
Áreas mais densas (com mais recursos, mercados, acesso à comida fresca e deslocamentos a pé) apresentaram:
➡ 18% das diferenças de BMI atribuídas só ao ambiente
7. Pessoas que se mudam para áreas mais pesadas ganham peso ao longo do tempo
O efeito não é imediato — o gráfico de 12 anos antes e 12 anos depois mostra:
Quase nenhuma tendência prévia
Ganho gradual de peso após a mudança
Ou seja: o ambiente atua devagar, mas continuamente.
Conclusão Geral do Artigo
“O ambiente explica parte importante do peso corporal (15–30%). Mas a maior parte ainda é determinada por fatores individuais. A alimentação é o principal mecanismo ambiental — não exercício. Mulheres são muito mais sensíveis ao ambiente que homens, por isso as mulheres com lipedema devem se atentar. Políticas públicas devem focar em: melhorar acesso a alimentos saudáveis, reduzir comida ultraprocessada e fast food, urbanização mais densa e caminhável.” – Conclui o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular médico com foco no tratamento de lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).
Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.
Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.
Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:
Um recente estudo analisou como diferentes graus de reganho de peso após interrupção do tirzepatide afetam parâmetros cardiometabólicos (circunferência abdominal, pressão arterial, lipídeos, glicemia e insulina).
A análise inclui apenas participantes que:
Usaram tirzepatide por 36 semanas e atingiram ≥10% de perda de peso.
Foram então randomizados para placebo (interrompendo o tirzepatide).
👥 Amostra
308 participantes
71,1% mulheres
Idade média: 47 anos
Acompanhamento total: 88 semanas
Eles foram divididos em 4 grupos conforme o quanto recuperaram do peso perdido:
<25% de reganho
25–50%
50–75%
≥75%
🟦 Importante: 82,5% dos participantes recuperaram ≥25% do peso perdido ao interromper o tirzepatide.
📉 Resultados durante o tratamento (0–36 semanas)
De forma consistente entre grupos, o tirzepatide levou a:
Melhora de triglicerídeos, não-HDL, glicemia, HbA1c, insulina e HOMA-IR
Todas as variáveis melhoraram de maneira previsível durante o tratamento.
📈 Resultados após retirada do tirzepatide (36–88 semanas)
O estudo mostra um padrão claro:
🟥 1. Quanto maior o reganho de peso, maior a perda dos benefícios cardiometabólicos.
🔵 Circunferência abdominal
Reversão mínima no grupo <25%
Aumento de 14,7 cm no grupo ≥75%
🔵 Pressão arterial
Aumento significativo da sistólica em todos os grupos
Crescente conforme o reganho aumenta (6,8 → 10,4 mmHg)
🔵 Lipídeos
Não-HDL voltou a piorar proporcionalmente ao reganho de peso
Triglicerídeos aumentaram sobretudo nos grupos de ≥50% de reganho
🔵 Glicemia, HbA1c e insulina
A reversão foi rápida — já evidente em 16 semanas após parar o medicamento
HbA1c aumentou proporcionalmente ao reganho:
+0,14% no grupo <25%
+0,35% no grupo ≥75%
🟩 HDL
Curiosamente, aumentou em TODOS os grupos após a retirada — mudança já observada após emagrecimento por dieta.
🧩 Resultados sobre toda a duração (0–88 semanas)
Quem recuperou ≥75% do peso voltou aos valores basais de praticamente todos os parâmetros cardiometabólicos.
Quem recuperou <50% ainda manteve alguns benefícios, embora reduzidos.
📌 Conclusão Central do Artigo
Interromper o tirzepatide leva à recuperação substancial do peso em 1 ano na maioria dos indivíduos — e isso está diretamente ligado a uma reversão proporcional das melhorias metabólicas conquistadas durante o tratamento.
Mesmo com dieta hipocalórica e atividade física contínua, apenas 17,5% mantiveram reganho <25%.
👉 A manutenção dos benefícios exige tratamento contínuo.
🧠 Interpretação Clínica (segundo os autores)
Obesidade é doença crônica — e exige tratamento contínuo.
Repetir ciclos de perder e recuperar peso pode ser metabolicamente prejudicial.
O formato do músculo glúteo máximo muda de maneiras distintas ao longo do envelhecimento e de acordo com estilo de vida, fragilidade, osteoporose e diabetes tipo 2 — e essas alterações são diferentes entre mulheres e homens, segundo uma nova pesquisa que foi apresentada semana passada no encontro anual da Radiological Society of North America (RSNA).
Os pesquisadores utilizaram mapeamento 3D por ressonância magnética, uma técnica que processa uma série de imagens de RM para criar um modelo anatômico 3D detalhado, permitindo melhor visualização. O mapeamento 3D revelou padrões específicos de sexo no glúteo máximo associados ao diabetes tipo 2, sugerindo que o formato — e não o tamanho — do músculo pode refletir diferenças metabólicas subjacentes.
O glúteo máximo é um dos maiores músculos do corpo humano e desempenha um papel fundamental na saúde metabólica.
Usando dados de 61.290 exames de RM disponíveis no banco de dados UK Biobank, a equipe investigou como a análise por ressonância pode caracterizar as características estruturais e a composição do músculo. Além das imagens médicas, o UK Biobank inclui medidas físicas dos voluntários, dados demográficos, biomarcadores de doenças, histórico médico e respostas a questionários de estilo de vida. Os pesquisadores analisaram 86 variáveis diferentes e mapearam como elas se associam às mudanças no formato muscular ao longo do tempo.
Pessoas com maior aptidão física, medida por atividade física vigorosa e força de preensão manual, apresentaram um glúteo máximo com maior volume estrutural, enquanto envelhecimento, fragilidade e longos períodos sentado estavam ligados ao afinamento do músculo
Entre os participantes com diabetes tipo 2, os homens apresentaram encolhimento do músculo, enquanto as mulheres mostraram aumento do volume muscular — provavelmente devido à infiltração de gordura dentro do músculo. Homens classificados como “frágeis” exibiram um encolhimento mais generalizado do glúteo máximo, ao passo que, nas mulheres, o impacto da fragilidade ficou restrito a áreas menores.
Os resultados indicam que homens e mulheres têm respostas biológicas muito diferentes à mesma doença. Mudanças no formato do glúteo máximo podem indicar declínio funcional precoce e comprometimento metabólico em pessoas com diabetes tipo 2 — refletindo diferenças específicas entre sexos na resposta à tolerância à insulina, que ainda exigem mais estudos.
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