Um recente estudo propõe testar a “Immunological Shield Hypothesis”, que sugere que o fenótipo de lipedema (ou um fenótipo DXA-definido semelhante) — caracterizado por acúmulo gluteofemoral desproporcional — poderia exercer um efeito imunomodulador protetor contra autoimunidade mediada por Th1, como a doença celíaca (DC).
Desenho do estudo
Base de dados: NHANES 2011–2014
Amostra final: 3.833 mulheres adultas
Casos de doença celíaca: n = 11 (prevalência ponderada 0,56%)
Definição de DC: sorologia dupla positiva (tTG-IgA + EMA-IgA)
Definição de fenótipo lipedema-like:
Razão gordura perna/tronco > percentil 90
Estudo transversal, populacional, com análise ponderada por desenho complexo do NHANES.
Principais achados
A) Mulheres com doença celíaca apresentaram:
7,4% menos gordura ginecoide (39,5% vs 42,6%, p=0.0007)
14,1% menor razão perna/tronco
20,3% menos massa de gordura em pernas
IMC semelhante ao grupo controle
Importante:
Essa diferença persistiu em mulheres com sobrepeso e obesidade, afastando viés de desnutrição.
Em obesas, a redução chegou a 11,3% (p=0.039).
B) Fenótipo lipedema-like apresentou perfil metabólico favorável:
Comparado aos controles:
44,2% menor HOMA-IR (p<0.001)
7,6% menor NLR (marcador inflamatório) (p=0.012)
13,1% menor leucócitos totais
Odds ratio para diabetes: 0,21 (p<0.001)
O efeito metabólico foi mais forte em sobrepeso e obesidade.
O que NÃO foi encontrado
A prevalência do fenótipo lipedema-like NÃO diferiu significativamente entre grupos (p=0.570).
Não houve relação dose-resposta por quartis.
Contudo:
O estudo reconhece que n=11 casos de DC é insuficiente para testar diferenças de prevalência.
Cálculo pós-hoc indica necessidade de 225–600 casos para poder adequado.
Interpretação biológica proposta
“O artigo propõe que o tecido adiposo gluteofemoral funciona como “metabolic sink”. A gordura do lipedema apresenta maior secreção de adiponectina, suprime a diferenciação Th1, reduze IFN-γ e gera um ambiente imunológico menos propenso a autoimunidade. O artigo levanta uma hipótese relevante: Se o tecido gluteofemoral é imunomodulador a remoção cirúrgica em grande volume poderia alterar o perfil imunometabólico? Poderia impactar risco autoimune? Isso é levantado como hipótese para estudos prospectivos.” – Explica o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).
Limitações
Apenas 11 casos de DC
Estudo transversal
Fenótipo DXA ≠ diagnóstico clínico de lipedema
Sem dosagem direta de adiponectina
Diferença étnica importante entre grupos
Os autores reconhecem claramente que:
O estudo é gerador de hipótese, não confirmatório.
Conclusão central
O estudo demonstra:
Divergência fenotípica consistente Redução significativa de gordura ginecoide em DC Perfil imunometabólico favorável no fenótipo lipedema-like
Fornece suporte preliminar à hipótese de que a adiposidade gluteofemoral pode atuar como moduladora imunológica.
Mas:
Não prova proteção direta contra doença celíaca. Exige validação em coortes maiores.
Essência do artigo em uma frase:
A distribuição da gordura corporal pode representar um modulador imunometabólico relevante na susceptibilidade à autoimunidade
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“A colina circulante é um indicador de disfunção metabólica na obesidade. Toda pessoa com alta porcentagem de gordura corporal apresenta colina baixa. A colina baixa correlaciona-se com inflamação e dano neuronal. A sua suplementação pode representar fator modificável na prevenção de resistência à insulina, diabetes e Doença de Alzheimer, além de ajudar no tratamento das mulheres com lipedema.” – Conclui o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).
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Um recente artigo propõe que os alimentos ultraprocessados (UPFs) devem ser analisados não apenas sob a ótica da nutrição, mas também sob o marco conceitual da ciência da dependência (addiction science), mostrando que:
os UPFs são produtos deliberadamente engenheirados para maximizar recompensa, consumo repetido e lucratividade, de forma muito semelhante ao que foi feito historicamente com os cigarros.
Os autores defendem que essa similaridade deve orientar políticas públicas, regulação e responsabilização da indústria.
Cigarros e alimentos ultraprocessados:
não são apenas produtos de consumo, são sistemas de entrega altamente engenheirados de substâncias reforçadoras.
Ambos:
sequestram mecanismos biológicos normais de recompensa,
reduzem a capacidade de autorregulação alimentar,
ampliam consumo compulsivo,
contribuem diretamente para doenças evitáveis em larga escala.
Mudança de paradigma proposta
A literatura tradicional em nutrição analisa alimentos em termos de:
nutrientes,
densidade calórica,
macro e micronutrientes.
O artigo propõe que os UPFs devem ser analisados também como:
produtos desenhados para induzir uso repetido e perda de controle, exatamente como ocorre com produtos aditivos.
Os cinco grandes pilares de engenharia compartilhados entre cigarros e UPFs
Os autores organizam a comparação em cinco grandes dimensões.
Otimização de dose (dose optimization)
Nos cigarros:
o teor de nicotina é cuidadosamente calibrado para produzir prazer,
mas evitar aversão (náusea, tontura, desconforto).
Nos UPFs:
ocorre a mesma lógica com:
carboidratos refinados
gorduras adicionadas.
A indústria busca um “ponto ótimo” sensorial:
suficientemente intenso para gerar prazer e desejo, mas não tão intenso a ponto de causar rejeição.
Os autores mostram que:
UPFs frequentemente contêm concentrações de carboidratos e gorduras muito superiores às encontradas em alimentos naturais.
Combinação sinérgica de carboidratos refinados + gordura
Um dos pontos mais relevantes do artigo.
Os autores demonstram que:
carboidratos e gorduras ativam vias distintas de recompensa no intestino e no cérebro;
quando consumidos juntos, produzem resposta dopaminérgica supra-aditiva.
Isso gera:
resposta de dopamina muito mais intensa do que cada macronutriente isoladamente.
Esse padrão:
praticamente não existe na natureza,
mas é extremamente comum nos UPFs mais consumidos (pizza, sorvete, chocolate, salgadinhos).
Velocidade de entrega
Assim como o cigarro foi engenheirado para:
entregar nicotina ao cérebro em segundos,
os UPFs são projetados para:
acelerar digestão,
acelerar absorção,
acelerar chegada dos nutrientes ao sistema nervoso.
Isso ocorre porque o processamento industrial:
destrói a matriz alimentar natural,
remove fibras, água e proteínas estruturais,
utiliza enzimas e técnicas de pré-digestão.
Os autores descrevem os UPFs como:
“pré-mastigados, pré-salivados e pré-digeridos”.
O resultado é:
aumento rápido da glicose, ativação rápida da dopamina, maior potencial de reforço comportamental.
Prazer de curta duração
Tanto cigarros quanto UPFs são projetados para:
produzir um pico rápido de prazer,
seguido de queda rápida.
No caso dos UPFs, isso é obtido por:
engenharia de aromas voláteis,
sabores que desaparecem rapidamente,
textura que se dissolve rápido na boca.
Os autores mostram que a própria indústria reconhece que:
sabores não devem “durar demais”, para estimular nova ingestão.
Além disso, o pico glicêmico rápido:
pode ser seguido de queda glicêmica,
gerando fadiga, irritabilidade e renovação do desejo por alimento.
O padrão se assemelha ao ciclo:
pico → queda → desejo → novo consumo.
Engenharia hedônica
Assim como a indústria do tabaco utiliza:
aromatizantes,
mentol,
aditivos sensoriais,
os UPFs utilizam:
aromatizantes artificiais,
corantes,
emulsificantes,
estabilizantes,
realçadores de sabor,
moduladores de textura.
O objetivo não é apenas palatabilidade.
É:
amplificação de pistas sensoriais que ativam sistemas de recompensa.
Os autores destacam que:
muitos sabores simulam alimentos naturais sem conter o alimento real,
ocorre dissociação entre sabor e valor nutricional.
Fundamentação neurobiológica
O artigo descreve em detalhe o papel:
do sistema dopaminérgico mesolímbico,
da aprendizagem por reforço,
da associação entre pistas ambientais e recompensa.
Mostra que:
a dopamina liberada por açúcar pode ser comparável à de substâncias psicoativas em modelos animais,
a resposta aumenta ainda mais quando carboidrato e gordura são combinados.
O cérebro humano evoluiu para buscar:
energia,
carboidratos,
gordura,
mas não para lidar com:
formas concentradas, rápidas e combinadas desses estímulos.
Engenharia da conveniência e ubiquidade ambiental
Outro eixo central do artigo.
Tanto cigarros quanto UPFs foram:
tornados altamente estáveis,
fáceis de armazenar,
fáceis de transportar,
disponíveis em praticamente qualquer ambiente.
Os autores mostram que:
a redução do “atrito” entre desejo e consumo é intencional,
vending machines, drive-thru, delivery apps e micro-embalagens replicam o papel histórico da infraestrutura do tabaco.
Isso cria:
ambientes permanentemente permissivos, aumento da exposição a pistas, maior dificuldade de autocontrole.
“A principal conclusão política do artigo é: Alimentos ultra processados devem ser tratados como produtos industriais de risco populacional, e não apenas como escolhas individuais. Os autores defendem explicitamente a adaptação das ferramentas usadas no controle do tabaco: restrição de marketing infantil, rotulagem mais clara, restrição de venda em escolas e hospitais e responsabilização corporativa. A história do tabaco oferece um roteiro claro para evitar que a crise dos ultraprocessados siga o mesmo curso de décadas de atraso regulatório.” – Aponta o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).
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Um recente estudo investigou, em condições reais de vida (fora de laboratório), como a temperatura do quarto durante a noite influencia a frequência cardíaca e a variabilidade da frequência cardíaca (HRV) em adultos mais velhos, como marcador de estresse autonômico e risco cardiovascular.
O estudo parte de um problema relevante de saúde pública:
as noites quentes estão se tornando mais frequentes com as mudanças climáticas;
existem recomendações da OMS para temperatura interna diurna, mas não há diretrizes específicas para o período noturno.
Desenho do estudo
Estudo observacional, longitudinal, em ambiente domiciliar.
Período: um verão completo na Austrália (dezembro/2024 a março/2025).
Amostra final:
47 adultos
idade ≥ 65 anos
68% mulheres
idade mediana: 72 anos.
Local
Sudeste de Queensland (Austrália),
clima subtropical úmido. t
Monitorização fisiológica
Os participantes utilizaram:
wearable (Fitbit Inspire 3) no punho, durante todo o período.
Foram coletados, durante o sono noturno:
frequência cardíaca
variabilidade da frequência cardíaca (HRV)
As medições foram feitas apenas durante períodos identificados como sono, entre:
21h e 7h.
Monitorização ambiental
Sensores foram instalados no domicílio, incluindo:
quarto principal
sala principal
outro ambiente
O presente estudo utilizou a temperatura do quarto como exposição principal.
registro a cada 10 minutos.
Classificação das temperaturas noturnas
As temperaturas do quarto foram agrupadas em faixas:
< 24 °C (referência)
24–26 °C
26–28 °C
28–32 °C
(>32 °C foi excluído por número insuficiente de horas registradas).
Volume de dados
Total de horas noturnas válidas analisadas:
14.179 horas.
Definição de alteração clinicamente relevante
redução ≥ 1,5 desvios-padrão nos índices de HRV
ou
aumento ≥ 5 bpm na frequência cardíaca noturna.
Principais resultados
Temperatura média observada no quarto
mediana: 25,9 °C.
Aumento da temperatura noturna esteve associado a:
redução significativa de:
lnRMSSD
lnHF
lnLF
aumento de:
ln(LF:HF)
frequência cardíaca
Todos com p < 0,001.
Resultado central do estudo
Em comparação com quartos com temperatura:
< 24 °C
as probabilidades de ocorrer redução clinicamente relevante do lnRMSSD foram:
24–26 °C → OR = 1,4
26–28 °C → OR = 2,0
28–32 °C → OR = 2,9
(todas estatisticamente significativas).
Frequência cardíaca
O risco de aumento clinicamente relevante da frequência cardíaca noturna também aumentou progressivamente conforme a temperatura subia:
24–26 °C → OR = 1,2
26–28 °C → OR = 1,9
28–32 °C → OR = 3,9.
Interpretação fisiológica dos autores
O conjunto dos achados é compatível com:
deslocamento do balanço autonômico para predominância simpática menor recuperação vagal durante o sono maior estresse fisiológico noturno.
Importante: não é um estudo de sono
Os autores deixam claro que:
o objetivo não foi estudar arquitetura do sono,
mas usar o período noturno para reduzir interferência de atividade física,
isolando melhor o efeito da temperatura sobre o sistema autonômico.
Implicação em saúde pública
“O estudo reforça que noites quentes são um fator de risco independente e podem somar-se ao estresse térmico diurno criando um estado cumulativo de sobrecarga autonômica. Projeções climáticas indicam que, no futuro, uma parcela maior das mortes relacionadas ao calor ocorrerá por noites quentes, e não apenas por dias quentes. Dormir bem e restaurar o corpo é fundamental para a saúde cardiovascular e para perda de peso. As pessoas precisam valorizar mais isso, principalmente as mulheres com lipedema, pois tem um metabolismo que precisa muito do sistema de restauração do corpo.” – Alerta o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).
Relação com risco cardiovascular
Segundo a discussão do artigo:
menor HRV noturna
maior frequência cardíaca
e predominância simpática
podem representar:
marcadores precoces de menor recuperação cardiovascular,
potencialmente associados a:
hipertensão,
eventos cardiovasculares,
maior vulnerabilidade ao estresse térmico.
Limitações apontadas
amostra pequena;
população relativamente homogênea;
clima subtropical (possível aclimatação ao calor);
HRV obtido por PPG de wearable (algoritmo proprietário);
não foi possível controlar:
uso de ventilador,
ventilação natural,
estratégias individuais de resfriamento.
Conclusão principal
Temperaturas noturnas no quarto:
acima de 24 °C
estão associadas a:
maior probabilidade de disfunção autonômica noturna,
maior frequência cardíaca,
maior estresse fisiológico.
em adultos com 65 anos ou mais.
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80–90% do tempo das pessoas é passado em ambientes internos, sob iluminação artificial, com baixa intensidade luminosa e espectro pobre.
Como a luz é o principal zeitgeber (sincronizador) do relógio biológico central (núcleo supraquiasmático), existe a hipótese de que a privação crônica de luz natural pode contribuir para:
Em especial, indivíduos com diabetes tipo 2 já apresentam alterações conhecidas do relógio molecular muscular e metabólico.
Um recente estudo avaliou se, em condições controladas, a exposição à luz natural durante o expediente versus luz artificial típica de escritório modifica:
controle glicêmico contínuo
metabolismo de substratos
secreção de melatonina
relógio molecular do músculo esquelético
perfil multi-ômico sanguíneo
em indivíduos com diabetes tipo 2.
Desenho do estudo
Ensaio randomizado, cruzado (crossover)
Registro clínico: NCT05263232
Amostra: 13 indivíduos com DM2
8 mulheres, 5 homens
idade média: 70 anos
IMC médio: 30,1 kg/m²
11 em uso de medicação antidiabética
Cada participante foi exposto a:
4,5 dias de luz natural por janelas (durante 8h–17h)
4,5 dias de luz artificial constante (~300 lux)
com washout ≥ 4 semanas.
Todos os demais fatores foram rigorosamente padronizados:
dieta
horários de sono
atividade física
temperatura ambiental
exposição à luz fora do protocolo (uso de óculos bloqueadores de azul)
Características da exposição luminosa
A luz natural apresentou:
maior intensidade luminosa
espectro contínuo ao longo de todo o visível
variação dinâmica ao longo do dia
A luz artificial apresentou:
espectro com picos típicos de LED/fluorescente
intensidade fixa
praticamente nenhuma variação espectral.
Principais resultados – glicemia
Glicemia média
Não houve diferença significativa na glicemia média global entre os dois cenários.
Tempo na faixa alvo (Time in Range)
Quando analisado o tempo na faixa de:
4,4–7,2 mmol/L
observou-se:
maior tempo em normoglicemia sob luz natural
50,9% no ambiente com luz natural
43,3% sob luz artificial
p = 0,036
Esse é o principal achado clínico do estudo.
Oscilação circadiana da glicose
Usando um modelo matemático que separa:
picos pós-prandiais
ritmo circadiano basal
foi demonstrado que:
a amplitude das oscilações circadianas da glicose foi menor sob luz natural.
E:
quanto maior a amplitude circadiana da glicose, menor o tempo em faixa normal.
Ou seja: luz natural achatou as flutuações metabólicas diárias da glicose.
Metabolismo de substratos (calorimetria indireta)
Durante o dia:
sob luz natural houve:
menor RER
menor oxidação de carboidratos
maior oxidação de gordura
Diferença consistente ao longo do período acordado.
Teste de refeição mista (MMTT)
Após refeição padronizada:
RER permaneceu menor sob luz natural
tendência a:
menor oxidação de carboidratos
maior oxidação de lipídios
dinâmica temporal dos metabólitos foi diferente entre as condições
Metabólitos plasmáticos de 24h
Não houve diferença nos níveis médios de:
glicose plasmática
ácidos graxos livres
triglicerídeos
ao longo de 24 horas.
O efeito metabólico foi detectado principalmente na utilização de substratos, e não na simples concentração média de metabólitos.
Melatonina
O horário de início da secreção (DLMO) não mudou.
Porém:
a área sob a curva da melatonina no início da noite (21h–23h) foi maior sob luz natural.
Ou seja:
maior produção noturna de melatonina após dias de exposição à luz natural diurna.
Relógio molecular do músculo esquelético
Nas biópsias musculares:
aumento da expressão de:
PER1
CRY1
tendência para PER2
sob luz natural.
Experimento funcional em miócitos
Células musculares primárias cultivadas a partir das biópsias mostraram:
avanço de fase (~45 minutos) do relógio molecular (BMAL1-luc)
ceramidas são biomarcadores fortemente associados à resistência à insulina e DM2.
Transcriptoma de monócitos
Foram observadas alterações em genes relacionados a:
metabolismo de ceramidas
vias lipídicas
inflamação metabólica
Embora, após correção por múltiplos testes, os resultados sejam exploratórios.
Pressão arterial, frequência cardíaca e temperatura
Nenhuma diferença entre os ambientes.
Logo, o efeito não foi mediado por:
estresse térmico
alterações hemodinâmicas
diferenças de conforto ambiental.
Conclusão
“A exposição à luz natural durante o dia melhora o alinhamento circadiano periférico (especialmente muscular), favorece um perfil metabólico mais oxidativo para gordura, reduz a amplitude das oscilações glicêmicas diárias, aumenta o tempo em normoglicemia, altera de forma consistente a assinatura metabólica e lipídica circulante. Tudo isso sem modificar dieta, atividade física ou sono percebido. Isso é algo que tem de ser valorizado, principalmente nas mulheres com lipedema.” – Indica o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online)
Limitações
Amostra pequena (n = 13)
Duração curta (4,5 dias)
População idosa (média 70 anos)
Estudo realizado apenas em meses de primavera/verão europeu
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Em todas as categorias de IMC, as mulheres na pós-menopausa apresentaram:
Redução significativa de:
massa magra total
massa magra mole
massa muscular esquelética
água corporal total
conteúdo proteico
conteúdo mineral
Aumento significativo de:
percentual de gordura corporal
área de gordura visceral
relação cintura-quadril
caracterizando redistribuição central da gordura (padrão andróide).
O achado mais relevante do estudo
O efeito da menopausa na composição corporal foi mais evidente nas mulheres com peso normal.
No grupo eutrófico:
a gordura visceral aumentou progressivamente:
pré → peri → pós-menopausa
o percentual de gordura também aumentou claramente
e a perda de massa muscular foi mais perceptível
Isso mostra que:
não é necessário ser obesa para sofrer piora metabólica relevante na menopausa.
Diferenças entre os grupos de IMC
Mulheres com peso normal
Apresentaram na pós-menopausa:
menor massa magra
menor massa muscular esquelética
menor água corporal
menor conteúdo mineral e proteico
maior gordura visceral
maior relação cintura-quadril
Mulheres com sobrepeso
Na pós-menopausa:
maior relação cintura-quadril
maior área de gordura visceral
A perda de massa muscular foi menos acentuada que no grupo eutrófico.
Mulheres com obesidade
Curiosamente:
a massa gorda total foi até discretamente menor na pós-menopausa em comparação às pré-menopáusicas
porém o padrão de redistribuição central permaneceu
Os autores interpretam isso como uma atenuação relativa da perda muscular em mulheres com maior peso corporal, provavelmente pelo maior estímulo mecânico.
Alterações metabólicas associadas
Além da composição corporal, o estudo mostrou que:
glicemia de jejum aumentou em peri e pós-menopausa
especialmente nas mulheres com sobrepeso e obesidade
colesterol total também foi maior na pós-menopausa
insulina mais elevada em mulheres obesas pós-menopausa
Ou seja:
a mudança corporal vem acompanhada de piora metabólica mensurável.
Mecanismo fisiopatológico discutido
O artigo destaca que a queda do estradiol:
favorece deposição de gordura visceral
reduz manutenção e regeneração muscular
aumenta inflamação sistêmica
estimula vias catabólicas musculares
O músculo esquelético possui receptores de estrogênio e depende dele para:
ativação de células satélite
regeneração de fibras
manutenção da massa muscular
Relação músculo – gordura – osso
O estudo discute que:
a perda muscular na menopausa:
reduz força
aumenta risco de quedas
favorece fragilidade
a redução de massa muscular compromete o estímulo mecânico ósseo
a gordura visceral aumenta citocinas inflamatórias que também prejudicam o osso
criando um cenário típico de: sarcopenia + obesidade visceral + risco ósseo
Sarcopenic obesity
O trabalho reforça fortemente o conceito de:
obesidade sarcopênica na menopausa
Caracterizada por:
aumento de gordura visceral
redução de massa muscular
inflamação crônica
pior sensibilidade à insulina
pior perfil lipídico
Conclusão clínica
“A avaliação rotineira de massa muscular, gordura visceral e composisção corporal deve fazer parte da avaliação clínica da mulher , no climatério, pois a gordura visceral é um marcador central de risco cardiometabólico, a perda muscular é determinante funcional e metabólico e intervenções precoces com reposição hormonal, exercício resistido, atividade física regular, ingestão proteica adequada são estratégias prioritárias para mulheres na transição menopausal.” – Analisa o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).
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UM recente estudo investigou se padrões de distribuição de gordura corporal, quantificados por ressonância magnética (MRI) e identificados por análise de perfis latentes (LPA), estão associados a:
estrutura cerebral,
microestrutura da substância branca,
desempenho cognitivo,
risco de doenças neurológicas, independentemente do IMC.
O foco central do trabalho é demonstrar que onde a gordura se deposita é mais relevante para o cérebro do que o valor global de IMC.
Desenho do estudo
Análise secundária de dados prospectivos do UK Biobank.
Amostra final:
25.997 participantes
Idade média ≈ 55 anos
13.536 mulheres e 12.461 homens
Todos com:
MRI abdominal,
MRI cardíaca,
MRI cerebral,
dados clínicos e cognitivos completos.
Quantificação da gordura corporal
Foram avaliados depósitos de gordura por MRI, incluindo:
gordura hepática (PDFF hepático),
gordura pancreática (PDFF pancreático),
gordura visceral,
gordura subcutânea abdominal,
gordura pericárdica,
infiltração gordurosa muscular,
relação peso/músculo,
razão de gordura abdominal.
Todos os parâmetros foram:
ajustados para IMC transformados em escores-z independentes de IMC.
Metodologia estatística
Os autores utilizaram:
Latent Profile Analysis (LPA)
Método centrado no indivíduo que identifica subgrupos ocultos a partir de padrões multivariados.
Importante:
a análise foi feita separadamente para homens e mulheres (estratificação por sexo).
Perfis de distribuição de gordura identificados
Foram identificados 6 perfis distintos em ambos os sexos:
representa o clássico “magro metabolicamente obeso”
Perfil 4 – Balanced high adiposity
todos os depósitos aumentados de forma relativamente homogênea
Perfil 5 – Balanced low adiposity
todos os depósitos discretamente reduzidos
Perfil 6 – Lean (perfil de referência)
menor quantidade de gordura em todos os compartimentos
Desfechos de neuroimagem avaliados
Os autores analisaram:
1. Volumes cerebrais
volume cerebral total
substância cinzenta
substância branca
córtex
núcleos subcorticais
tronco encefálico
2. Lesões de substância branca
volume de white matter hyperintensities (WMH)
3. Microestrutura da substância branca (NODDI)
ICVF – fração intracelular (densidade neurítica)
ISOVF – fração isotrópica (água livre)
OD – dispersão de orientação
4. Envelhecimento cerebral
cálculo de brain age gap
(idade cerebral estimada menos idade cronológica)
Principais achados estruturais
Comparando-se todos os perfis ao perfil magro (perfil 6):
Perfis 1 a 5 apresentaram:
menor volume cerebral total
menor volume de substância cinzenta
maior volume de hiperintensidades de substância branca
Perfis mais prejudiciais:
Perfil 1 – pancreático predominante
Perfil 3 – skinny-fat
Foram os que apresentaram:
maior atrofia de substância cinzenta
maior carga de lesões de substância branca
maior comprometimento cortical
Distribuição anatômica da atrofia
A atrofia cortical foi predominante em:
regiões frontais
regiões temporais
ou seja:
áreas intimamente relacionadas a:
memória,
funções executivas,
linguagem,
regulação emocional.
Microestrutura da substância branca
Nos perfis 1, 2 e 3, especialmente em homens:
redução da fração intracelular (↓ ICVF)
aumento da fração de água livre (↑ ISOVF)
Interpretação biológica proposta pelos autores:
redução da integridade axonal / densidade neurítica provável efeito de:
neuroinflamação,
lipotoxicidade,
edema microestrutural.
Envelhecimento cerebral
Em homens:
perfis 1 a 4 apresentaram brain age gap aumentado
→ cérebro biologicamente mais velho do que a idade cronológica.
Em mulheres:
essa associação foi menos evidente.
Desempenho cognitivo
Foram avaliados:
velocidade psicomotora
memória prospectiva
memória visual
memória de trabalho
raciocínio verbal-numérico
escore cognitivo global
Principais achados:
Homens
pior velocidade psicomotora nos perfis 1, 3 e 4
pior memória prospectiva nos perfis 1, 2 e 3
pior memória visual no perfil 3
Mulheres
pior velocidade psicomotora nos perfis 1, 3, 4 e 5
pior memória visual principalmente no perfil 1
pior escore cognitivo global no perfil 1
O perfil pancreático se destaca como o mais consistentemente associado a pior cognição.
Risco de doenças neurológicas
Foram avaliadas diversas categorias de doenças neurológicas e psiquiátricas:
ansiedade
depressão
AVC
epilepsia
entre outras
Resultados principais:
aumento consistente do risco de:
transtornos de humor
doenças neurológicas em geral
Perfis de maior risco:
homens: perfil 3 (skinny-fat)
mulheres: perfis 1 (pancreático), 2 (hepático) e 3
Exemplos destacados no artigo:
maior risco de AVC
maior risco de epilepsia (particularmente em mulheres com perfil pancreático)
Implicação clínica central
“A gordura pancreática emerge como um marcador particularmente forte de risco neurodegenerativo. O estudo demonstra de forma robusta que IMC é um marcador pobre para estimar risco cerebral. Pessoas com IMC moderado, mas com gordura visceral elevada,
gordura pancreática elevada e gordura ectópica muscular podem apresentar maior atrofia cerebral, pior desempenho cognitivo, maior risco de doenças neurológicas. As mulheres com lipedema, ao acumular a gordura nas pernas tem uma proteção natural contra demência e declínio cognitivo.” – Resume o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).
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