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O que é mais importante: peso ou força?

Um recente estudo investigou se a fraqueza muscular, medida pela força de preensão manual (handgrip strength – HGS), está associada ao tempo até a mortalidade em adultos americanos com mais de 50 anos.

Além disso, os autores quiseram avaliar dois pontos principais:

  1. Se diferentes pontos de corte de fraqueza muscular estão associados ao risco de morte.
  2. Se a combinação desses critérios (fraqueza coletiva) melhora a capacidade de prever mortalidade.

Introdução

A força muscular, especialmente a força de preensão manual, é considerada hoje um biomarcador importante do envelhecimento saudável.

Baixa força muscular está associada a:

  • incapacidade funcional
  • doenças crônicas
  • declínio cognitivo
  • aumento da mortalidade

Alguns estudos mostram inclusive que a força muscular pode prever mortalidade melhor que pressão arterial sistólica em alguns contextos clínicos.

Apesar disso, existem vários pontos de corte diferentes para definir fraqueza, o que dificulta comparações entre estudos.

Para reduzir essa heterogeneidade, o Sarcopenia Definition and Outcomes Consortium (SDOC) propôs novos critérios de fraqueza.

Metodologia

População estudada

  • 14.178 adultos americanos
  • idade ≥ 50 anos
  • dados provenientes do Health and Retirement Study (2006–2018)

A idade média foi 68,8 anos e 55% eram mulheres.

A mortalidade foi confirmada pelo National Death Index.

Avaliação da força muscular

A força foi medida usando dinamômetro de preensão manual.

Os participantes realizaram:

  • duas tentativas em cada mão
  • foi considerado o maior valor obtido

Pontos de corte utilizados

Homens

  • força absoluta < 35,5 kg
  • força / peso corporal < 0,45
  • força / IMC < 1,05

Mulheres

  • força absoluta < 20 kg
  • força / peso corporal < 0,337
  • força / IMC < 0,79

Fraqueza coletiva

Os participantes foram classificados conforme o número de critérios de fraqueza:

  • 0 critérios → não fraco
  • 1 critério
  • 2 critérios
  • 3 critérios

Distribuição da fraqueza

Entre os participantes:

  • 45,9% não tinham fraqueza
  • 18,4% tinham 1 critério
  • 18,5% tinham 2 critérios
  • 17,1% tinham os 3 critérios de fraqueza

Resultados principais

1. Fraqueza muscular aumenta risco de morte

Comparado aos indivíduos com força normal:

  • fraqueza absoluta → 45% maior risco de morte
  • fraqueza ajustada por IMC → 39% maior risco
  • fraqueza ajustada por peso → 33% maior risco

2. Quanto mais critérios de fraqueza, maior o risco

Quando os critérios foram combinados:

Número de critériosAumento do risco de morte
1 critério37%
2 critérios47%
3 critérios69%

Ou seja, a mortalidade aumenta progressivamente com a fraqueza muscular acumulada.

Tempo médio até mortalidade

A análise de sobrevivência mostrou:

  • pessoas com fraqueza grave tinham tempo médio até morte de ~8 anos
  • indivíduos sem fraqueza tinham sobrevida significativamente maior.

Influência do peso corporal

O impacto da fraqueza foi ainda maior em alguns grupos:

Obesidade

Pessoas obesas com fraqueza apresentaram risco ainda maior de morte.

Baixo peso

Indivíduos com baixo peso e fraqueza também tiveram aumento significativo da mortalidade.

Isso sugere interação entre:

  • sarcopenia
  • obesidade
  • fragilidade metabólica.

Interpretação fisiológica

A associação entre fraqueza muscular e mortalidade pode ocorrer porque pessoas mais fracas:

  • têm menor reserva fisiológica
  • toleram pior eventos agudos (infarto, AVC)
  • apresentam maior inflamação
  • têm pior função vascular
  • possuem menor capacidade funcional para lidar com doenças.

Implicações clínicas

Os autores destacam que medir força de preensão manual deveria fazer parte da avaliação clínica rotineira, especialmente em idosos.

A força muscular pode ser um marcador importante para:

  • risco de mortalidade
  • fragilidade
  • incapacidade funcional
  • doenças crônicas.

Intervenções que podem melhorar a força muscular

O estudo cita estratégias que podem ajudar a reduzir o risco:

  • treinamento de força
  • exercícios intervalados
  • aumento da ingestão de proteína
  • suplementação de vitamina D
  • programas de atividade física estruturados.

Limitações do estudo

Os autores apontam algumas limitações:

  • estudo observacional (não prova causalidade)
  • ausência de dados sobre medicamentos
  • possíveis diferenças na execução do teste de força
  • alguns fatores ambientais não avaliados.

Conclusão

“ A fraqueza muscular é um forte preditor de mortalidade em adultos acima de 50 anos. O estudo mostra que a força de preensão manual é um marcador simples e poderoso de saúde usar múltiplos critérios de fraqueza simultaneamente melhora a previsão de mortalidade e quanto menor a força muscular, maior o risco de morte ao longo do tempo. Considero fundamental no tratamento das mulheres com lipedema o ganho de massa muscular. Ao contrário do que elas pensam, elas têm uma genética muito boa para músuclo.

A força muscular não é apenas um indicador de desempenho físico — ela é um marcador importante de longevidade.” – Finaliza o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.

Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.

Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:

 

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Infarto é coisa de velho?

Um recente estudo investigou diferenças entre homens e mulheres jovens hospitalizados com o primeiro infarto agudo do miocárdio (IAM), analisando:

  • Perfil de fatores de risco
  • Complicações hospitalares
  • Mortalidade intra-hospitalar
  • Influência de fatores de risco tradicionais e não tradicionais

O foco foi entender por que mulheres jovens continuam apresentando pior prognóstico após infarto.

📌 2️⃣ Base de dados e metodologia

🔬 Fonte de dados

National Inpatient Sample (NIS), um dos maiores bancos hospitalares dos EUA.

📊 Período analisado

2011–2022

👥 População

Adultos jovens hospitalizados com primeiro infarto agudo do miocárdio, classificados em:

  • STEMI (infarto com supra de ST)
  • NSTEMI (infarto sem supra de ST)

O estudo avaliou:

  • Fatores de risco tradicionais
  • Fatores de risco não tradicionais
  • Complicações hospitalares
  • Mortalidade intra-hospitalar

📌 3️⃣ Perfil de fatores de risco

🔹 Fatores de risco tradicionais

Os mais comuns foram:

  • Hipertensão (≈70% dos casos)
  • Dislipidemia
  • Tabagismo
  • Diabetes
  • Obesidade

A hipertensão foi o fator mais prevalente em ambos os sexos.

🔹 Fatores de risco não tradicionais

Incluíram:

  • Baixa renda
  • Doença renal crônica
  • Doenças inflamatórias reumatológicas
  • HIV
  • Estados hipercoaguláveis
  • Transtornos psiquiátricos
  • Uso de drogas
  • Apneia do sono
  • Hipotireoidismo

Mulheres apresentaram maior prevalência de vários desses fatores, especialmente:

  • Doenças inflamatórias
  • Transtornos psiquiátricos
  • Hipotireoidismo
  • Baixa renda

📌 4️⃣ Mortalidade hospitalar

🔴 STEMI

Mortalidade hospitalar:

  • Mulheres: 3,1%
  • Homens: 2,5%

Diferença significativa.

Mesmo após ajuste estatístico para múltiplos fatores:

👉 mulheres tiveram 24% maior chance de morrer no hospital.

OR ajustado: 1,24.

📈 Tendência temporal

Entre 2011 e 2022 houve aumento da mortalidade hospitalar em jovens com STEMI:

  • 2,1% → 3,3%

Ou seja, o prognóstico não está melhorando nessa população.

📌 5️⃣ Complicações hospitalares

Diferenças importantes entre sexos:

Mulheres

Maior risco de:

  • Choque cardiogênico
  • Sangramento maior
  • AVC agudo

Homens

Maior risco de:

  • Insuficiência renal aguda

📌 6️⃣ Fatores associados à mortalidade

Após ajustes multivariados, os principais preditores de morte hospitalar foram:

Tradicionais

  • Diabetes (OR ≈ 1,61)

Não tradicionais

  • Doença renal crônica (OR ≈ 3,19)
  • Baixa renda (OR ≈ 1,24)
  • Uso de drogas ilícitas (OR ≈ 1,63)

Curiosamente, após ajuste completo, a maioria dos fatores tradicionais perdeu significância, exceto diabetes e obesidade.

📌 7️⃣ Possíveis explicações para pior prognóstico feminino

Os autores sugerem várias hipóteses:

1️⃣ Atraso no diagnóstico

Mulheres jovens frequentemente apresentam:

  • sintomas atípicos
  • menor suspeita clínica

2️⃣ Menor acesso a procedimentos

Estudos mostram que mulheres recebem menos:

  • angiografia
  • revascularização

3️⃣ Atraso na apresentação hospitalar

Mulheres podem procurar atendimento mais tarde.

4️⃣ Perfil de risco mais complexo

Maior prevalência de:

  • fatores psicossociais
  • doenças autoimunes
  • fatores socioeconômicos

📌 8️⃣ Importância dos fatores sociais

O estudo destaca que determinantes sociais de saúde tiveram impacto relevante.

Particularmente:

  • baixa renda
  • uso de drogas
  • doença renal

foram associados a maior mortalidade.

Isso sugere que risco cardiovascular em jovens não é apenas biológico.

📌 9️⃣ Conclusão do estudo

O estudo confirma que:

  • Mulheres jovens continuam tendo maior mortalidade após primeiro infarto
  • Elas apresentam perfil de risco mais complexo
  • Fatores não tradicionais têm papel importante no prognóstico

Apesar dos avanços na cardiologia, a desigualdade entre sexos persiste.

🎯 Essência do artigo

Mesmo entre adultos jovens com primeiro infarto, mulheres continuam apresentando pior prognóstico hospitalar, provavelmente devido a uma combinação de fatores biológicos, sociais e diferenças no tratamento.

Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.

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Lipedema protege?

Um recente estudo propõe testar a “Immunological Shield Hypothesis”, que sugere que o fenótipo de lipedema (ou um fenótipo DXA-definido semelhante) — caracterizado por acúmulo gluteofemoral desproporcional — poderia exercer um efeito imunomodulador protetor contra autoimunidade mediada por Th1, como a doença celíaca (DC).

📌 2️⃣ Desenho do estudo

  • Base de dados: NHANES 2011–2014
  • Amostra final: 3.833 mulheres adultas
  • Casos de doença celíaca: n = 11 (prevalência ponderada 0,56%)
  • Definição de DC: sorologia dupla positiva (tTG-IgA + EMA-IgA)
  • Definição de fenótipo lipedema-like:
    • Razão gordura perna/tronco > percentil 90

Estudo transversal, populacional, com análise ponderada por desenho complexo do NHANES.

📌 3️⃣ Principais achados

🧬 A) Mulheres com doença celíaca apresentaram:

  • 7,4% menos gordura ginecoide (39,5% vs 42,6%, p=0.0007)
  • 14,1% menor razão perna/tronco
  • 20,3% menos massa de gordura em pernas
  • IMC semelhante ao grupo controle

Importante:
Essa diferença persistiu em mulheres com sobrepeso e obesidade, afastando viés de desnutrição.

Em obesas, a redução chegou a 11,3% (p=0.039).

🧬 B) Fenótipo lipedema-like apresentou perfil metabólico favorável:

Comparado aos controles:

  • 🔹 44,2% menor HOMA-IR (p<0.001)
  • 🔹 7,6% menor NLR (marcador inflamatório) (p=0.012)
  • 🔹 13,1% menor leucócitos totais
  • 🔹 Odds ratio para diabetes: 0,21 (p<0.001)

O efeito metabólico foi mais forte em sobrepeso e obesidade.

📌 4️⃣ O que NÃO foi encontrado

  • A prevalência do fenótipo lipedema-like NÃO diferiu significativamente entre grupos (p=0.570).
  • Não houve relação dose-resposta por quartis.

Contudo:
O estudo reconhece que n=11 casos de DC é insuficiente para testar diferenças de prevalência.

Cálculo pós-hoc indica necessidade de 225–600 casos para poder adequado.

📌 5️⃣ Interpretação biológica proposta

“O artigo propõe que o tecido adiposo gluteofemoral funciona como “metabolic sink”. A gordura do lipedema apresenta maior secreção de adiponectina, suprime a diferenciação Th1, reduze IFN-γ e gera um ambiente imunológico menos propenso a autoimunidade. O artigo levanta uma hipótese relevante: Se o tecido gluteofemoral é imunomodulador a remoção cirúrgica em grande volume poderia alterar o perfil imunometabólico? Poderia impactar risco autoimune? Isso é levantado como hipótese para estudos prospectivos.”  – Explica o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

📌 7️⃣ Limitações

  • Apenas 11 casos de DC
  • Estudo transversal
  • Fenótipo DXA ≠ diagnóstico clínico de lipedema
  • Sem dosagem direta de adiponectina
  • Diferença étnica importante entre grupos

Os autores reconhecem claramente que:

O estudo é gerador de hipótese, não confirmatório.

📌 8️⃣ Conclusão central

O estudo demonstra:

✔ Divergência fenotípica consistente
✔ Redução significativa de gordura ginecoide em DC
✔ Perfil imunometabólico favorável no fenótipo lipedema-like

Fornece suporte preliminar à hipótese de que a adiposidade gluteofemoral pode atuar como moduladora imunológica.

Mas:

⚠ Não prova proteção direta contra doença celíaca.
⚠ Exige validação em coortes maiores.

🎯 Essência do artigo em uma frase:

A distribuição da gordura corporal pode representar um modulador imunometabólico relevante na susceptibilidade à autoimunidade

Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.

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As pessoas estão cada vez mais sedentárias.

Nutriente muito importante para seu cérebro e fígado

As pessoas estão cada vez mais sedentárias.

Um recente estudo investigou se indivíduos jovens com obesidade apresentam:

  • Redução nos níveis circulantes de colina (choline)
  • Associação entre colina e:
    • Resistência à insulina (IR)
    • Marcadores inflamatórios
    • Disfunção hepática
    • Neurofilamento leve (NfL), biomarcador de dano axonal neuronal

Além disso, validar se a correlação entre colina e NfL também ocorre em:

  • Pacientes com Comprometimento Cognitivo Leve (MCI)
  • Pacientes com Doença de Alzheimer (AD) moderada e grave

🧪 Metodologia

🔹 Coorte Obesidade

  • 15 adultos com IMC saudável (18,5–24,9)
  • 15 adultos com obesidade (IMC >30)
  • Idade média: 33,6 anos
  • Excluídos: diabéticos, doenças hepáticas, uso de medicamentos, suplementos

Foram medidos:

  • Colina circulante
  • % de gordura corporal
  • Marcadores hepáticos (aldolase B e sorbitol desidrogenase)
  • Citocinas inflamatórias (IL-6, TNF-α)
  • Resistência à insulina
  • NfL plasmático

🔹 Coortes Neurodegenerativas

  • Pacientes com MCI
  • Pacientes com AD moderada (Braak IV)
  • Pacientes com AD severa (Braak VI)
  • Controles pareados por idade

📊 Principais Resultados

1️⃣ Colina está reduzida na obesidade

Indivíduos obesos apresentaram:

  • ↓ Colina circulante
  • Correlação negativa entre colina e:
    • % gordura corporal
    • Resistência à insulina
    • Citocinas inflamatórias
    • Enzimas hepáticas

2️⃣ Colina baixa associa-se a disfunção hepática

Aldolase B e sorbitol desidrogenase estavam elevadas nos obesos.

Essas enzimas:

  • Indicam disfunção hepática
  • Estão associadas a resistência à insulina e DM2
  • Correlacionaram-se negativamente com colina

Sugere-se que baixa colina pode comprometer metabolismo hepático e glicídico.

3️⃣ Colina baixa associa-se a inflamação

  • Adultos com ingestão >310 mg/dia de colina têm:
    • 26% menos IL-6
    • 6% menos TNF-α
  • Em modelos animais:
    • Deficiência de colina ↑ TNF-α e patologia amiloide

4️⃣ Colina baixa associa-se a dano neuronal

Obesos apresentaram:

  • ↑ NfL plasmático (marcador de dano axonal)
  • Correlação negativa entre colina e NfL

Essa mesma correlação foi observada em MCI e AD.

Ou seja:

🔻 Menor colina → 🔺 maior marcador de neurodegeneração.

🧠 Mecanismo Proposto

Os autores sugerem que a colina pode ser “desviada” para:

  • Formação de fosfolipídios no tecido adiposo
  • Atender maior demanda metabólica em dietas ricas em gordura

Isso reduziria sua disponibilidade para:

  • Fígado
  • Cérebro

Podendo comprometer:

  • Metabolismo
  • Integridade neuronal

📉 Implicações Clínicas

Boa parte dos Brasileiros não atingem ingestão adequada de colina

Evidências citadas no artigo mostram que:

  • Dieta Mediterrânea (rica em colina) reduz risco de AD em até 30%
  • Consumo frequente de ovos associa-se a 39% menor risco de AD

Colina pode ser um elo metabólico entre:

Obesidade → Resistência à insulina → Inflamação → Dano neuronal → Alzheimer.

⚠️ Limitações

  • Amostra pequena (n=30 na coorte obesidade)
  • Não avaliou ingestão dietética direta
  • Não mediu metabólitos como TMAO
  • Não avaliou cognição na coorte jovem

🧾 Conclusão

“A colina circulante é um indicador de disfunção metabólica na obesidade. Toda pessoa com alta porcentagem de gordura corporal apresenta colina baixa. A colina baixa correlaciona-se com inflamação e dano neuronal. A sua suplementação pode representar fator modificável na prevenção de resistência à insulina, diabetes e Doença de Alzheimer, além de ajudar no tratamento das mulheres com lipedema.” – Conclui o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

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como-fazer-jejum-intermitente-dr-daniel-benitti-cirurgiao-vascular

Jejum emagrece?

como-fazer-jejum-intermitente-dr-daniel-benitti-cirurgiao-vascular

Um recente estudo avaliou os benefícios e riscos do jejum intermitente comparado a:

  • Orientação dietética tradicional
  • Nenhuma intervenção ou lista de espera em adultos com sobrepeso ou obesidade.

🔎 Metodologia

  • 🔬 22 ensaios clínicos randomizados
  • 👥 1.995 participantes
  • 🌎 Estudos conduzidos em EUA, Europa, China, Austrália e Brasil
  • ⏳ Duração mínima de intervenção: 4 semanas
  • 📅 Seguimento mínimo: 6 meses (maioria até 12 meses)
  • 📊 Principais desfechos avaliados:
    • Perda de peso
    • Qualidade de vida
    • Eventos adversos
    • Diabetes
    • Satisfação do participante
    • Perfil lipídico

📉 Resultados Principais

1️⃣ Jejum intermitente vs. orientação dietética tradicional

🔹 Perda de peso

  • Pouca ou nenhuma diferença clinicamente relevante
  • Diferença média: −0,33% do peso corporal (evidência de baixa certeza)

🔹 Perda ≥ 5% do peso

  • Sem diferença estatisticamente significativa
  • Evidência muito incerta

🔹 Qualidade de vida

  • Nenhuma diferença relevante

🔹 Eventos adversos

  • Podem ocorrer:
    • Fadiga
    • Cefaleia
    • Náusea
    • Tontura
    • Irritabilidade
  • Evidência muito incerta sobre aumento real de risco

2️⃣ Jejum intermitente vs. nenhuma intervenção

  • Pode haver pequena redução percentual de peso (~3,4%)
  • Contudo, a diferença não foi considerada clinicamente significativa
  • Qualidade de vida e eventos adversos: evidência muito incerta

⚖️ Conclusões dos autores

  • O jejum intermitente não mostrou superioridade clara em relação à dieta tradicional.
  • Não houve diferenças clinicamente relevantes na maioria dos desfechos.
  • A maior parte dos estudos avaliou apenas o curto prazo (até 12 meses).
  • Não há dados consistentes sobre:
    • Satisfação dos pacientes
    • Impacto em diabetes
    • Comorbidades
    • Efeitos de longo prazo

🧠 Interpretação Clínica

A perda de peso associada ao jejum parece estar relacionada principalmente à restrição calórica total, e não necessariamente ao padrão de jejum em si.

A revisão reforça que:

  • Sustentabilidade
  • Adesão
  • Perfil individual do paciente podem ser mais importantes do que o modelo alimentar específico escolhido.

Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.

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Ultraprocessado ou Cigarro? O que é pior para a sua saúde?

Um recente artigo propõe que os alimentos ultraprocessados (UPFs) devem ser analisados não apenas sob a ótica da nutrição, mas também sob o marco conceitual da ciência da dependência (addiction science), mostrando que:

os UPFs são produtos deliberadamente engenheirados para maximizar recompensa, consumo repetido e lucratividade, de forma muito semelhante ao que foi feito historicamente com os cigarros.

Os autores defendem que essa similaridade deve orientar políticas públicas, regulação e responsabilização da indústria.

Cigarros e alimentos ultraprocessados:

➡️ não são apenas produtos de consumo,
➡️ são sistemas de entrega altamente engenheirados de substâncias reforçadoras.

Ambos:

  • sequestram mecanismos biológicos normais de recompensa,
  • reduzem a capacidade de autorregulação alimentar,
  • ampliam consumo compulsivo,
  • contribuem diretamente para doenças evitáveis em larga escala.

🧬 Mudança de paradigma proposta

A literatura tradicional em nutrição analisa alimentos em termos de:

  • nutrientes,
  • densidade calórica,
  • macro e micronutrientes.

O artigo propõe que os UPFs devem ser analisados também como:

👉 produtos desenhados para induzir uso repetido e perda de controle, exatamente como ocorre com produtos aditivos.

🧩 Os cinco grandes pilares de engenharia compartilhados entre cigarros e UPFs

Os autores organizam a comparação em cinco grandes dimensões.

1️⃣ Otimização de dose (dose optimization)

Nos cigarros:

  • o teor de nicotina é cuidadosamente calibrado para produzir prazer,
  • mas evitar aversão (náusea, tontura, desconforto).

Nos UPFs:

  • ocorre a mesma lógica com:
    • carboidratos refinados
    • gorduras adicionadas.

A indústria busca um “ponto ótimo” sensorial:

➡️ suficientemente intenso para gerar prazer e desejo,
➡️ mas não tão intenso a ponto de causar rejeição.

Os autores mostram que:

  • UPFs frequentemente contêm concentrações de carboidratos e gorduras muito superiores às encontradas em alimentos naturais.

2️⃣ Combinação sinérgica de carboidratos refinados + gordura

Um dos pontos mais relevantes do artigo.

Os autores demonstram que:

  • carboidratos e gorduras ativam vias distintas de recompensa no intestino e no cérebro;
  • quando consumidos juntos, produzem resposta dopaminérgica supra-aditiva.

Isso gera:

➡️ resposta de dopamina muito mais intensa do que cada macronutriente isoladamente.

Esse padrão:

  • praticamente não existe na natureza,
  • mas é extremamente comum nos UPFs mais consumidos (pizza, sorvete, chocolate, salgadinhos).

3️⃣ Velocidade de entrega

Assim como o cigarro foi engenheirado para:

  • entregar nicotina ao cérebro em segundos,

os UPFs são projetados para:

  • acelerar digestão,
  • acelerar absorção,
  • acelerar chegada dos nutrientes ao sistema nervoso.

Isso ocorre porque o processamento industrial:

  • destrói a matriz alimentar natural,
  • remove fibras, água e proteínas estruturais,
  • utiliza enzimas e técnicas de pré-digestão.

Os autores descrevem os UPFs como:

👉 “pré-mastigados, pré-salivados e pré-digeridos”.

O resultado é:

➡️ aumento rápido da glicose,
➡️ ativação rápida da dopamina,
➡️ maior potencial de reforço comportamental.

4️⃣ Prazer de curta duração

Tanto cigarros quanto UPFs são projetados para:

  • produzir um pico rápido de prazer,
  • seguido de queda rápida.

No caso dos UPFs, isso é obtido por:

  • engenharia de aromas voláteis,
  • sabores que desaparecem rapidamente,
  • textura que se dissolve rápido na boca.

Os autores mostram que a própria indústria reconhece que:

➡️ sabores não devem “durar demais”, para estimular nova ingestão.

Além disso, o pico glicêmico rápido:

  • pode ser seguido de queda glicêmica,
  • gerando fadiga, irritabilidade e renovação do desejo por alimento.

O padrão se assemelha ao ciclo:

pico → queda → desejo → novo consumo.

5️⃣ Engenharia hedônica

Assim como a indústria do tabaco utiliza:

  • aromatizantes,
  • mentol,
  • aditivos sensoriais,

os UPFs utilizam:

  • aromatizantes artificiais,
  • corantes,
  • emulsificantes,
  • estabilizantes,
  • realçadores de sabor,
  • moduladores de textura.

O objetivo não é apenas palatabilidade.

É:

➡️ amplificação de pistas sensoriais que ativam sistemas de recompensa.

Os autores destacam que:

  • muitos sabores simulam alimentos naturais sem conter o alimento real,
  • ocorre dissociação entre sabor e valor nutricional.

🧠 Fundamentação neurobiológica

O artigo descreve em detalhe o papel:

  • do sistema dopaminérgico mesolímbico,
  • da aprendizagem por reforço,
  • da associação entre pistas ambientais e recompensa.

Mostra que:

  • a dopamina liberada por açúcar pode ser comparável à de substâncias psicoativas em modelos animais,
  • a resposta aumenta ainda mais quando carboidrato e gordura são combinados.

O cérebro humano evoluiu para buscar:

  • energia,
  • carboidratos,
  • gordura,

mas não para lidar com:

➡️ formas concentradas, rápidas e combinadas desses estímulos.

🧱 Engenharia da conveniência e ubiquidade ambiental

Outro eixo central do artigo.

Tanto cigarros quanto UPFs foram:

  • tornados altamente estáveis,
  • fáceis de armazenar,
  • fáceis de transportar,
  • disponíveis em praticamente qualquer ambiente.

Os autores mostram que:

  • a redução do “atrito” entre desejo e consumo é intencional,
  • vending machines, drive-thru, delivery apps e micro-embalagens replicam o papel histórico da infraestrutura do tabaco.

Isso cria:

➡️ ambientes permanentemente permissivos,
➡️ aumento da exposição a pistas,
➡️ maior dificuldade de autocontrole.

“A principal conclusão política do artigo é: Alimentos ultra processados devem ser tratados como produtos industriais de risco populacional, e não apenas como escolhas individuais. Os autores defendem explicitamente a adaptação das ferramentas usadas no controle do tabaco: restrição de marketing infantil, rotulagem mais clara, restrição de venda em escolas e hospitais e responsabilização corporativa. A história do tabaco oferece um roteiro claro para evitar que a crise dos ultraprocessados siga o mesmo curso de décadas de atraso regulatório.” – Aponta o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.

Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.

Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:

 

Qual a melhor temperatura para dormir?

Um recente estudo investigou, em condições reais de vida (fora de laboratório), como a temperatura do quarto durante a noite influencia a frequência cardíaca e a variabilidade da frequência cardíaca (HRV) em adultos mais velhos, como marcador de estresse autonômico e risco cardiovascular.

O estudo parte de um problema relevante de saúde pública:

  • as noites quentes estão se tornando mais frequentes com as mudanças climáticas;
  • existem recomendações da OMS para temperatura interna diurna, mas não há diretrizes específicas para o período noturno.

🧪 Desenho do estudo

  • Estudo observacional, longitudinal, em ambiente domiciliar.
  • Período: um verão completo na Austrália (dezembro/2024 a março/2025).
  • Amostra final:
    • 47 adultos
    • idade ≥ 65 anos
    • 68% mulheres
    • idade mediana: 72 anos.

📍 Local

  • Sudeste de Queensland (Austrália),
  • clima subtropical úmido. t

🧍‍♂️🧍‍♀️ Monitorização fisiológica

Os participantes utilizaram:

  • wearable (Fitbit Inspire 3) no punho, durante todo o período.

Foram coletados, durante o sono noturno:

  • frequência cardíaca
  • variabilidade da frequência cardíaca (HRV)

As medições foram feitas apenas durante períodos identificados como sono, entre:

➡️ 21h e 7h.

🌡️ Monitorização ambiental

Sensores foram instalados no domicílio, incluindo:

  • quarto principal
  • sala principal
  • outro ambiente

O presente estudo utilizou a temperatura do quarto como exposição principal.

  • registro a cada 10 minutos.

🌡️ Classificação das temperaturas noturnas

As temperaturas do quarto foram agrupadas em faixas:

  • < 24 °C (referência)
  • 24–26 °C
  • 26–28 °C
  • 28–32 °C

(>32 °C foi excluído por número insuficiente de horas registradas).

📊 Volume de dados

  • Total de horas noturnas válidas analisadas:
    • 14.179 horas.

⚠️ Definição de alteração clinicamente relevante

  • redução ≥ 1,5 desvios-padrão nos índices de HRV
    ou
  • aumento ≥ 5 bpm na frequência cardíaca noturna.

🧾 Principais resultados

1️⃣ Temperatura média observada no quarto

  • mediana: 25,9 °C.

2️⃣ Aumento da temperatura noturna esteve associado a:

  • redução significativa de:
    • lnRMSSD
    • lnHF
    • lnLF
  • aumento de:
    • ln(LF:HF)
    • frequência cardíaca

Todos com p < 0,001.

📉 Resultado central do estudo

Em comparação com quartos com temperatura:

< 24 °C

as probabilidades de ocorrer redução clinicamente relevante do lnRMSSD foram:

  • 24–26 °C → OR = 1,4
  • 26–28 °C → OR = 2,0
  • 28–32 °C → OR = 2,9

(todas estatisticamente significativas).

❤️ Frequência cardíaca

O risco de aumento clinicamente relevante da frequência cardíaca noturna também aumentou progressivamente conforme a temperatura subia:

  • 24–26 °C → OR = 1,2
  • 26–28 °C → OR = 1,9
  • 28–32 °C → OR = 3,9.

🧠 Interpretação fisiológica dos autores

O conjunto dos achados é compatível com:

👉 deslocamento do balanço autonômico para predominância simpática
👉 menor recuperação vagal durante o sono
👉 maior estresse fisiológico noturno.

🌙 Importante: não é um estudo de sono

Os autores deixam claro que:

  • o objetivo não foi estudar arquitetura do sono,
  • mas usar o período noturno para reduzir interferência de atividade física,
  • isolando melhor o efeito da temperatura sobre o sistema autonômico.

🌍 Implicação em saúde pública

“O estudo reforça que noites quentes são um fator de risco independente e podem somar-se ao estresse térmico diurno criando um estado cumulativo de sobrecarga autonômica. Projeções climáticas indicam que, no futuro, uma parcela maior das mortes relacionadas ao calor ocorrerá por noites quentes, e não apenas por dias quentes. Dormir bem e restaurar o corpo é fundamental para a saúde cardiovascular e para perda de peso. As pessoas precisam valorizar mais isso, principalmente as mulheres com lipedema, pois tem um metabolismo que precisa muito do sistema de restauração do corpo.” – Alerta o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

🧩 Relação com risco cardiovascular

Segundo a discussão do artigo:

  • menor HRV noturna
  • maior frequência cardíaca
  • e predominância simpática

podem representar:

  • marcadores precoces de menor recuperação cardiovascular,
  • potencialmente associados a:
    • hipertensão,
    • eventos cardiovasculares,
    • maior vulnerabilidade ao estresse térmico.

⚠️ Limitações apontadas

  • amostra pequena;
  • população relativamente homogênea;
  • clima subtropical (possível aclimatação ao calor);
  • HRV obtido por PPG de wearable (algoritmo proprietário);
  • não foi possível controlar:
    • uso de ventilador,
    • ventilação natural,
    • estratégias individuais de resfriamento.

✅ Conclusão principal

Temperaturas noturnas no quarto:

👉 acima de 24 °C

estão associadas a:

  • maior probabilidade de disfunção autonômica noturna,
  • maior frequência cardíaca,
  • maior estresse fisiológico.

em adultos com 65 anos ou mais.

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Será que a luz do ambiente realmente importa?

80–90% do tempo das pessoas é passado em ambientes internos, sob iluminação artificial, com baixa intensidade luminosa e espectro pobre.

Como a luz é o principal zeitgeber (sincronizador) do relógio biológico central (núcleo supraquiasmático), existe a hipótese de que a privação crônica de luz natural pode contribuir para:

  • desorganização circadiana periférica (músculo, fígado, pâncreas)
  • piora do metabolismo da glicose
  • piora da função mitocondrial

Em especial, indivíduos com diabetes tipo 2 já apresentam alterações conhecidas do relógio molecular muscular e metabólico.

Um recente estudo avaliou se, em condições controladas, a exposição à luz natural durante o expediente versus luz artificial típica de escritório modifica:

  • controle glicêmico contínuo
  • metabolismo de substratos
  • secreção de melatonina
  • relógio molecular do músculo esquelético
  • perfil multi-ômico sanguíneo

em indivíduos com diabetes tipo 2.

🧪 Desenho do estudo

  • Ensaio randomizado, cruzado (crossover)
  • Registro clínico: NCT05263232
  • Amostra: 13 indivíduos com DM2
    • 8 mulheres, 5 homens
    • idade média: 70 anos
    • IMC médio: 30,1 kg/m²
    • 11 em uso de medicação antidiabética

Cada participante foi exposto a:

  • 4,5 dias de luz natural por janelas (durante 8h–17h)
  • 4,5 dias de luz artificial constante (~300 lux)

com washout ≥ 4 semanas.

Todos os demais fatores foram rigorosamente padronizados:

  • dieta
  • horários de sono
  • atividade física
  • temperatura ambiental
  • exposição à luz fora do protocolo (uso de óculos bloqueadores de azul)

💡 Características da exposição luminosa

A luz natural apresentou:

  • maior intensidade luminosa
  • espectro contínuo ao longo de todo o visível
  • variação dinâmica ao longo do dia

A luz artificial apresentou:

  • espectro com picos típicos de LED/fluorescente
  • intensidade fixa
  • praticamente nenhuma variação espectral.

📌 Principais resultados – glicemia

1️⃣ Glicemia média

👉 Não houve diferença significativa na glicemia média global entre os dois cenários.

2️⃣ Tempo na faixa alvo (Time in Range)

Quando analisado o tempo na faixa de:

4,4–7,2 mmol/L

observou-se:

✅ maior tempo em normoglicemia sob luz natural

  • 50,9% no ambiente com luz natural
  • 43,3% sob luz artificial
  • p = 0,036

Esse é o principal achado clínico do estudo.

3️⃣ Oscilação circadiana da glicose

Usando um modelo matemático que separa:

  • picos pós-prandiais
  • ritmo circadiano basal

foi demonstrado que:

✅ a amplitude das oscilações circadianas da glicose foi menor sob luz natural.

E:

➡️ quanto maior a amplitude circadiana da glicose, menor o tempo em faixa normal.

Ou seja:
luz natural achatou as flutuações metabólicas diárias da glicose.

🔥 Metabolismo de substratos (calorimetria indireta)

Durante o dia:

✅ sob luz natural houve:

  • menor RER
  • menor oxidação de carboidratos
  • maior oxidação de gordura

Diferença consistente ao longo do período acordado.

🍽️ Teste de refeição mista (MMTT)

Após refeição padronizada:

  • RER permaneceu menor sob luz natural
  • tendência a:
    • menor oxidação de carboidratos
    • maior oxidação de lipídios
  • dinâmica temporal dos metabólitos foi diferente entre as condições

🩸 Metabólitos plasmáticos de 24h

Não houve diferença nos níveis médios de:

  • glicose plasmática
  • ácidos graxos livres
  • triglicerídeos

ao longo de 24 horas.

O efeito metabólico foi detectado principalmente na utilização de substratos, e não na simples concentração média de metabólitos.

🌙 Melatonina

  • O horário de início da secreção (DLMO) não mudou.
  • Porém:

✅ a área sob a curva da melatonina no início da noite (21h–23h) foi maior sob luz natural.

Ou seja:

➡️ maior produção noturna de melatonina após dias de exposição à luz natural diurna.

🧬 Relógio molecular do músculo esquelético

Nas biópsias musculares:

  • aumento da expressão de:
    • PER1
    • CRY1
    • tendência para PER2

sob luz natural.

🧫 Experimento funcional em miócitos

Células musculares primárias cultivadas a partir das biópsias mostraram:

✅ avanço de fase (~45 minutos) do relógio molecular (BMAL1-luc)

após o período de exposição à luz natural.

Importante:

  • período
  • amplitude
  • amortecimento

não foram alterados.

Ou seja:

➡️ houve realinhamento de fase do relógio muscular.

🧪 Assinatura multi-ômica sanguínea

Foram realizadas:

  • metabolômica
  • lipidômica
  • transcriptômica em monócitos

Metabólitos associados à luz natural:

↑ treonina
↑ ácido cólico
↑ glutamato
↑ uracila

hidroxiprolina
alantoína
ácido salicílico
citrato/isocitrato

Lipídios

Associação positiva com luz natural:

  • fosfatidiletanolaminas (PE)
  • éteres de PE (PE-O)
  • LPE
  • DAG

Associação negativa:

  • ceramidas
  • glucosil-ceramidas
  • ésteres de colesterol

Este achado é particularmente relevante, pois:

➡️ ceramidas são biomarcadores fortemente associados à resistência à insulina e DM2.

Transcriptoma de monócitos

Foram observadas alterações em genes relacionados a:

  • metabolismo de ceramidas
  • vias lipídicas
  • inflamação metabólica

Embora, após correção por múltiplos testes, os resultados sejam exploratórios.

🧠 Pressão arterial, frequência cardíaca e temperatura

➡️ Nenhuma diferença entre os ambientes.

Logo, o efeito não foi mediado por:

  • estresse térmico
  • alterações hemodinâmicas
  • diferenças de conforto ambiental.

🧩 Conclusão

“A exposição à luz natural durante o dia melhora o alinhamento circadiano periférico (especialmente muscular), favorece um perfil metabólico mais oxidativo para gordura,  reduz a amplitude das oscilações glicêmicas diárias, aumenta o tempo em normoglicemia, altera de forma consistente a assinatura metabólica e lipídica circulante. Tudo isso sem modificar dieta, atividade física ou sono percebido. Isso é algo que tem de ser valorizado, principalmente nas mulheres com lipedema.” – Indica o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online)

⚠️ Limitações

  • Amostra pequena (n = 13)
  • Duração curta (4,5 dias)
  • População idosa (média 70 anos)
  • Estudo realizado apenas em meses de primavera/verão europeu

Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.

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Seu corpo somente piora mesmo comendo bem e treinando?

Um recente estudo avaliou de forma sistemática como a transição menopausal (pré-menopausa, perimenopausa e pós-menopausa) influencia:

  • composição corporal
  • distribuição de gordura (especialmente gordura visceral)
  • massa magra e muscular

👉 sempre considerando diferentes categorias de IMC (eutrofia, sobrepeso e obesidade).

🧪 Desenho do estudo

  • Estudo transversal retrospectivo
  • 325 mulheres avaliadas
  • Hospital universitário da Universidade de Medicina de Poznań (Polônia)
  • Classificação:
    • pré-menopausa (grupo controle)
    • perimenopausa
    • pós-menopausa
  • Cada grupo ainda estratificado em:
    • peso normal
    • sobrepeso
    • obesidade

🧍‍♀️ Critérios hormonais de classificação

  • Perimenopausa
    • 45–55 anos
    • ciclos irregulares ou regulares
    • FSH entre 15–25 mIU/mL
    • estradiol > 100 pg/mL
  • Pós-menopausa
    • ≥ 1 ano sem menstruação
    • FSH > 25 mIU/mL
    • estradiol < 10 pg/mL

📏 Como a composição corporal foi avaliada

  • Bioimpedância elétrica multifrequencial (BIA – ACCUNIQ BC380)
  • Avaliados:

Compartimentos corporais:

  • massa magra total
  • massa magra mole
  • massa muscular esquelética
  • água corporal total
  • proteínas
  • minerais
  • massa gorda total
  • percentual de gordura
  • relação cintura-quadril
  • área de gordura visceral

📊 Principais resultados – visão geral

Em todas as categorias de IMC, as mulheres na pós-menopausa apresentaram:

🔻 Redução significativa de:

  • massa magra total
  • massa magra mole
  • massa muscular esquelética
  • água corporal total
  • conteúdo proteico
  • conteúdo mineral

🔺 Aumento significativo de:

  • percentual de gordura corporal
  • área de gordura visceral
  • relação cintura-quadril

👉 caracterizando redistribuição central da gordura (padrão andróide).

⚠️ O achado mais relevante do estudo

O efeito da menopausa na composição corporal foi mais evidente nas mulheres com peso normal.

No grupo eutrófico:

  • a gordura visceral aumentou progressivamente:
    • pré → peri → pós-menopausa
  • o percentual de gordura também aumentou claramente
  • e a perda de massa muscular foi mais perceptível

👉 Isso mostra que:

não é necessário ser obesa para sofrer piora metabólica relevante na menopausa.

🧠 Diferenças entre os grupos de IMC

✔ Mulheres com peso normal

Apresentaram na pós-menopausa:

  • menor massa magra
  • menor massa muscular esquelética
  • menor água corporal
  • menor conteúdo mineral e proteico
  • maior gordura visceral
  • maior relação cintura-quadril

✔ Mulheres com sobrepeso

Na pós-menopausa:

  • maior relação cintura-quadril
  • maior área de gordura visceral

A perda de massa muscular foi menos acentuada que no grupo eutrófico.

✔ Mulheres com obesidade

Curiosamente:

  • a massa gorda total foi até discretamente menor na pós-menopausa em comparação às pré-menopáusicas
  • porém o padrão de redistribuição central permaneceu

Os autores interpretam isso como uma atenuação relativa da perda muscular em mulheres com maior peso corporal, provavelmente pelo maior estímulo mecânico.

🩸 Alterações metabólicas associadas

Além da composição corporal, o estudo mostrou que:

  • glicemia de jejum aumentou em peri e pós-menopausa
  • especialmente nas mulheres com sobrepeso e obesidade
  • colesterol total também foi maior na pós-menopausa
  • insulina mais elevada em mulheres obesas pós-menopausa

👉 Ou seja:

a mudança corporal vem acompanhada de piora metabólica mensurável.

🧬 Mecanismo fisiopatológico discutido

O artigo destaca que a queda do estradiol:

  • favorece deposição de gordura visceral
  • reduz manutenção e regeneração muscular
  • aumenta inflamação sistêmica
  • estimula vias catabólicas musculares

O músculo esquelético possui receptores de estrogênio e depende dele para:

  • ativação de células satélite
  • regeneração de fibras
  • manutenção da massa muscular

🦴 Relação músculo – gordura – osso

O estudo discute que:

  • a perda muscular na menopausa:
    • reduz força
    • aumenta risco de quedas
    • favorece fragilidade
  • a redução de massa muscular compromete o estímulo mecânico ósseo
  • a gordura visceral aumenta citocinas inflamatórias que também prejudicam o osso

👉 criando um cenário típico de:
sarcopenia + obesidade visceral + risco ósseo

🚨 Sarcopenic obesity

O trabalho reforça fortemente o conceito de:

obesidade sarcopênica na menopausa

Caracterizada por:

  • aumento de gordura visceral
  • redução de massa muscular
  • inflamação crônica
  • pior sensibilidade à insulina
  • pior perfil lipídico

🎯 Conclusão clínica 

“A avaliação rotineira de massa muscular, gordura visceral e composisção corporal deve fazer parte da avaliação clínica da mulher , no climatério, pois a gordura visceral é um marcador central de risco cardiometabólico, a perda muscular é determinante funcional e metabólico e intervenções precoces com reposição hormonal, exercício resistido, atividade física regular, ingestão proteica adequada são estratégias prioritárias para mulheres na transição menopausal.” – Analisa o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

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Onde está a gordura impacta no seu cérebro

UM recente estudo investigou se padrões de distribuição de gordura corporal, quantificados por ressonância magnética (MRI) e identificados por análise de perfis latentes (LPA), estão associados a:

  • estrutura cerebral,
  • microestrutura da substância branca,
  • desempenho cognitivo,
  • risco de doenças neurológicas, independentemente do IMC.

O foco central do trabalho é demonstrar que onde a gordura se deposita é mais relevante para o cérebro do que o valor global de IMC.

🧪 Desenho do estudo

  • Análise secundária de dados prospectivos do UK Biobank.
  • Amostra final:
    • 25.997 participantes
    • Idade média ≈ 55 anos
    • 13.536 mulheres e 12.461 homens
  • Todos com:
    • MRI abdominal,
    • MRI cardíaca,
    • MRI cerebral,
    • dados clínicos e cognitivos completos.

🧠 Quantificação da gordura corporal

Foram avaliados depósitos de gordura por MRI, incluindo:

  • gordura hepática (PDFF hepático),
  • gordura pancreática (PDFF pancreático),
  • gordura visceral,
  • gordura subcutânea abdominal,
  • gordura pericárdica,
  • infiltração gordurosa muscular,
  • relação peso/músculo,
  • razão de gordura abdominal.

Todos os parâmetros foram:

👉 ajustados para IMC
👉 transformados em escores-z independentes de IMC.

📊 Metodologia estatística

Os autores utilizaram:

✔️ Latent Profile Analysis (LPA)

Método centrado no indivíduo que identifica subgrupos ocultos a partir de padrões multivariados.

Importante:

  • a análise foi feita separadamente para homens e mulheres (estratificação por sexo).

🧩 Perfis de distribuição de gordura identificados

Foram identificados 6 perfis distintos em ambos os sexos:

🔹 Perfil 1 – Pancreatic-predominant (pancreático predominante)

  • gordura pancreática muito elevada
  • demais depósitos não são necessariamente os mais altos

🔹 Perfil 2 – Hepatocyte-predominant (hepático predominante)

  • gordura hepática muito elevada

🔹 Perfil 3 – Skinny-fat

  • IMC apenas moderado
  • porém:
    • gordura visceral elevada
    • alta razão gordura abdominal
    • alta relação peso/músculo
  • maior carga global de adiposidade ectópica

👉 representa o clássico “magro metabolicamente obeso”

🔹 Perfil 4 – Balanced high adiposity

  • todos os depósitos aumentados de forma relativamente homogênea

🔹 Perfil 5 – Balanced low adiposity

  • todos os depósitos discretamente reduzidos

🔹 Perfil 6 – Lean (perfil de referência)

  • menor quantidade de gordura em todos os compartimentos

🧠 Desfechos de neuroimagem avaliados

Os autores analisaram:

1. Volumes cerebrais

  • volume cerebral total
  • substância cinzenta
  • substância branca
  • córtex
  • núcleos subcorticais
  • tronco encefálico

2. Lesões de substância branca

  • volume de white matter hyperintensities (WMH)

3. Microestrutura da substância branca (NODDI)

  • ICVF – fração intracelular (densidade neurítica)
  • ISOVF – fração isotrópica (água livre)
  • OD – dispersão de orientação

4. Envelhecimento cerebral

  • cálculo de brain age gap
    (idade cerebral estimada menos idade cronológica)

🧠 Principais achados estruturais

Comparando-se todos os perfis ao perfil magro (perfil 6):

✔️ Perfis 1 a 5 apresentaram:

  • menor volume cerebral total
  • menor volume de substância cinzenta
  • maior volume de hiperintensidades de substância branca

🔴 Perfis mais prejudiciais:

👉 Perfil 1 – pancreático predominante

👉 Perfil 3 – skinny-fat

Foram os que apresentaram:

  • maior atrofia de substância cinzenta
  • maior carga de lesões de substância branca
  • maior comprometimento cortical

🧠 Distribuição anatômica da atrofia

A atrofia cortical foi predominante em:

  • regiões frontais
  • regiões temporais

ou seja:

👉 áreas intimamente relacionadas a:

  • memória,
  • funções executivas,
  • linguagem,
  • regulação emocional.

🧬 Microestrutura da substância branca

Nos perfis 1, 2 e 3, especialmente em homens:

  • redução da fração intracelular (↓ ICVF)
  • aumento da fração de água livre (↑ ISOVF)

Interpretação biológica proposta pelos autores:

👉 redução da integridade axonal / densidade neurítica
👉 provável efeito de:

  • neuroinflamação,
  • lipotoxicidade,
  • edema microestrutural.

🧓 Envelhecimento cerebral

Em homens:

  • perfis 1 a 4 apresentaram brain age gap aumentado
    → cérebro biologicamente mais velho do que a idade cronológica.

Em mulheres:

  • essa associação foi menos evidente.

🧠 Desempenho cognitivo

Foram avaliados:

  • velocidade psicomotora
  • memória prospectiva
  • memória visual
  • memória de trabalho
  • raciocínio verbal-numérico
  • escore cognitivo global

Principais achados:

Homens

  • pior velocidade psicomotora nos perfis 1, 3 e 4
  • pior memória prospectiva nos perfis 1, 2 e 3
  • pior memória visual no perfil 3

Mulheres

  • pior velocidade psicomotora nos perfis 1, 3, 4 e 5
  • pior memória visual principalmente no perfil 1
  • pior escore cognitivo global no perfil 1

👉 O perfil pancreático se destaca como o mais consistentemente associado a pior cognição.

🧠 Risco de doenças neurológicas

Foram avaliadas diversas categorias de doenças neurológicas e psiquiátricas:

  • ansiedade
  • depressão
  • AVC
  • epilepsia
  • entre outras

Resultados principais:

  • aumento consistente do risco de:
    • transtornos de humor
    • doenças neurológicas em geral

Perfis de maior risco:

  • homens: perfil 3 (skinny-fat)
  • mulheres: perfis 1 (pancreático), 2 (hepático) e 3

Exemplos destacados no artigo:

  • maior risco de AVC
  • maior risco de epilepsia (particularmente em mulheres com perfil pancreático)

⚠️ Implicação clínica central

“A gordura pancreática emerge como um marcador particularmente forte de risco neurodegenerativo.  O estudo demonstra de forma robusta que IMC é um marcador pobre para estimar risco cerebral. Pessoas com IMC moderado, mas com gordura visceral elevada,

gordura pancreática elevada e gordura ectópica muscular podem apresentar maior atrofia cerebral, pior desempenho cognitivo,  maior risco de doenças neurológicas. As mulheres com lipedema, ao acumular a gordura nas pernas tem uma proteção natural contra demência e declínio cognitivo.” – Resume o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

 

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