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Quer viver mais?

Para viver mais e com saúde, estudos sugerem que algumas mudanças no estilo de vida podem ajudar a prolongar a expectativa de vida.

Não fumar, reduzir o consumo de álcool, manejar o estresse, seguir uma alimentação saudável e se movimentar mais já foram associados a uma sensação de juventude e boa saúde ao longo do envelhecimento.

Agora, um novo estudo publicado na revista The Lancet mostrou que apenas 5 minutos extras por dia de atividade física moderada a vigorosa, ou 30 minutos a menos sentado por dia, poderiam ajudar a prevenir até 10% das mortes.

Para este estudo, pesquisadores analisaram dados de saúde de estudos anteriores, envolvendo mais de 150 mil adultos dos Estados Unidos, Suécia, Noruega e Reino Unido. Todos os estudos incluíram dados de atividade física medidos por dispositivos.

Diversos estudos já demonstraram que níveis mais altos de atividade física estão associados a melhores desfechos de saúde, melhor qualidade de vida e menor risco de morte prematura

No entanto, ainda não estava claro o quanto pequenas mudanças na atividade física e no tempo sentado poderiam reduzir o número de mortes na população.

Ao final do estudo, os pesquisadores observaram que adicionar apenas 5 minutos diários de atividade moderada a vigorosa reduziu em 6% o número de mortes entre os 20% menos ativos, ao longo de um acompanhamento médio de oito anos.

 Em uma população onde 100 mil pessoas morrem por ano, isso significa que 6 mil dessas mortes poderiam ser evitadas com apenas cinco minutos extras de atividade nos menos ativos

Quando esse aumento de atividade foi aplicado a toda a população do estudo, o potencial de prevenção de mortes chegou a 10%.

Sentar 30 minutos a menos pode evitar 3% das mortes.

Os pesquisadores também analisaram o impacto de reduzir o tempo sentado. Descobriram que sentar 30 minutos a menos por dia poderia prevenir cerca de:

  • 3% das mortes entre os menos ativos
  • 7% das mortes em toda a população estudada

Se todos os grupos populacionais reduzissem 30 minutos do tempo sentado diário, entre 3 mil e 7 mil mortes poderiam ser evitadas em uma população com 100 mil óbitos por ano — número próximo à taxa anual de mortes da Suécia!

Os autores planejam agora investigar como pequenas mudanças no número diário de passos podem impactar a prevenção de mortes e até de doenças.

“Fazer as pessoas se moverem mais, para tornar suas atividades diárias mais fáceis e ajudá-las a viver uma vida mais longa e feliz, é exatamente o que eu defendo todos os dias. Movimento é remédio. Mesmo apenas cinco minutos podem melhorar o estado físico e mental de alguém.”Usar o movimento como medicina traz grandes benefícios, especialmente agora que cresce o interesse por abordagens mais naturais. Cada vez mais pessoas preferem mudanças no estilo de vida em vez de medicamentos. Essa pesquisa é importante para sustentar essa transformação social.” -Comenta o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.

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Sua B12 é boa?

Um recente estudo avaliou, em escala populacional, o padrão da deficiência de vitamina B12 no Brasil e seu impacto sobre hospitalizações e doenças associadas, utilizando dados dos sistemas público (SUS) e privado entre 2016 e 2023.

Os autores destacam que a deficiência de B12 é subdiagnosticada, crescente, e possui impacto sistêmico amplo, indo muito além da anemia.

🧬 Fundamentos fisiológicos apresentados

A vitamina B12:

• é obtida exclusivamente da dieta (produtos animais)
• depende do fator intrínseco gástrico para absorção ileal
• atua na eritropoiesesíntese de DNA e formação de mielina

A deficiência causa:

• anemia megaloblástica
• neuropatia periférica
• declínio cognitivo
• alterações psiquiátricas
• redução da densidade óssea
• risco cardiovascular aumentado

🇧🇷 Contexto brasileiro

O artigo destaca fatores específicos do Brasil:

• insegurança alimentar
• redução de consumo de proteína animal
• envelhecimento populacional
• uso crescente de metformina e inibidores de bomba de prótons
• desigualdade socioeconômica regional

Prevalência nacional prévia estimada: 6–15%.

🧪 Métodos

• 84 milhões de dosagens de vitamina B12 analisadas
• Dados administrativos nacionais
• Sistemas público e privado
• Deficiência definida como <221 pmol/L (critério OMS/CDC)
• Correlação entre deficiência de B12 e hospitalizações por grandes grupos de doenças
• Análises temporais e regressão multivariada regional

📊 Principais resultados

📈 Crescimento dos testes

• Exames aumentaram 12 vezes
• De 2 milhões (2016) → 25 milhões (2023)
• Mudança de predominância:

  • 2016: 94% público
  • 2023: 60% privado

(Figura 1 do artigo mostra claramente esse crescimento e a migração para o setor privado)

👩‍⚕️ Diferença por sexo

• 69% dos exames em mulheres
• Mulheres fizeram 2,3× mais testes
• 80% dos resultados anormais ocorreram em mulheres

Homens realizam menos exames e tendem a ser diagnosticados tardiamente, já com manifestações neurológicas ou cardiovasculares.

⚠️ Prevalência de resultados anormais

• Sistema público: 11% exames anormais (~4 milhões)
• Sistema privado: 12% exames anormais (~6 milhões)

Idade média da deficiência:

• Mulheres: 44–49 anos
• Homens: 44–54 anos

🏥 Hospitalizações associadas à deficiência de B12

Tendência temporal:

• Hospitalizações por deficiência de B12 aumentaram 32%
• 598 casos (2018) → 870 casos (2023)

Correlação com outras deficiências vitamínicas

• B12 × B1: ρ = 0,952
• B12 × B6: ρ = 0,857

Ou seja, deficiências do complexo B crescem em paralelo populacionalmente.

🧠 Correlação com doenças clínicas graves

Hospitalizações por deficiência de B12 correlacionaram-se fortemente com:

DoençaCorrelação (ρ)
Anemia0,93
Demência0,95
Depressão0,95
Parkinson0,95
Doença inflamatória intestinal0,90
AVC0,98
Infarto0,98

Todas com p < 0,001

📉 Análise multivariada ajustada

Mesmo após ajuste por renda, desigualdade regional e carga de comorbidades, a deficiência de B12 permaneceu associada a:

CondiçãoRR
Anemia1,09
Demência1,05
AVC1,07
Infarto1,08

Ou seja:
A deficiência de B12 é marcador independente de risco de hospitalização grave.

🧭 Conclusões

“ A deficiência de B12 é problema de saúde pública crescente no Brasil. Está associada a hospitalizações evitáveis. Mulheres são mais testadas e mais diagnosticadas. Homens tendem a ser diagnosticados tardiamente. A deficiência de vitamina B12 é uma epidemia silenciosa, crescente e subdiagnosticada no Brasil, associada a aumento de hospitalizações cardiovasculares, neurológicas, hematológicas e psiquiátricas. Deve sempre ser solicitado nas mulheres com lipedema pois vejo no consultório uma prevalência alta.” – Analisa o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

💡 Implicações clínicas

✔️ Justifica rastreio em mulheres, idosos e usuários de metformina/IBP
✔️ Explica sintomas neurológicos “inexplicáveis”
✔️ Suporta inclusão de B12 no check-up metabólico
✔️ Fundamenta políticas públicas de suplementação

 

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Creatina piora os rins?

A creatina monohidratada é um dos suplementos mais estudados, com benefícios bem estabelecidos para desempenho físico e aplicações clínicas emergentes (inclusive em doenças neurodegenerativas). Porém, permanece uma preocupação clínica recorrente:
👉 a elevação da creatinina sérica após suplementação, que pode ser interpretada erroneamente como disfunção renal.

No entanto:

  • Creatinina é apenas um subproduto do metabolismo da creatina
  • Seu aumento não necessariamente reflete queda real da função renal
  • O marcador mais confiável é a taxa de filtração glomerular (GFR)

Um recente estudo fez uma revisão sistemática e meta-análise atualizada (2000–março/2025) para determinar:

  • Se a suplementação de creatina altera creatinina sérica
  • Se há impacto real sobre a GFR (função renal global)

Métodos

Busca e seleção

  • Bases: PubMed, Scopus, Web of Science, Google Scholar
  • Período: janeiro/2000 – março/2025
  • Apenas estudos em humanos e em inglês
  • Termos: creatine AND kidney function, GFR, creatinine etc.

Critérios de inclusão

  • Ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais e pré–pós
  • Suplementação oral de creatina (qualquer dose/duração)
  • Desfechos: creatinina sérica e/ou GFR

Exclusões

  • Estudos animais, in vitro, revisões, relatos de caso
  • Estudos sem desfechos renais ou dados quantitativos

Avaliação de viés

  • RCTs → Cochrane RoB-2
  • Observacionais → Newcastle–Ottawa Scale
  • Resultado geral: “some concerns” predominante (pequenas amostras e seguimentos curtos)

Meta-análise

  • Efeito calculado como diferença média (MD)
  • Modelo random-effects
  • Subgrupo por duração de suplementação

Estudos incluídos

  • 21 estudos na revisão sistemática
  • 12 estudos com dados quantitativos incluídos na meta-análise
  • Total: 177 participantes no grupo creatina vs 263 controles
  • Populações: atletas, sedentários, mulheres pós-menopausa, diabéticos tipo 2, militares etc.
  • Doses variaram de 5 a 20 g/dia, duração de 5 dias até 21 meses
  • Nenhum estudo reportou evento adverso renal grave

Resultados – Creatinina sérica

Meta-análise global

  • Pequeno aumento estatisticamente significativo:
    MD = +0,07 µmol/L
    IC95% 0,01 – 0,12
    p = 0,03

Subgrupo por duração

DuraçãoResultado
≤ 1 semanaAumento significativo MD +0,12 (IC95% 0,03–0,21)
1–12 semanasSem aumento significativo (MD +0,04; IC95% −0,09–0,17)
> 12 semanasAumento novamente significativo

Interpretação fisiológica

  • A elevação inicial é farmacocinética previsível
  • Reflete aumento do pool corporal de creatina  maior conversão em creatinina
  • Não indica lesão renal verdadeira

Considerações importantes

“A Creatina causa aumento modesto e transitório da creatinina sérica, mas não reduz a taxa de filtração glomerular.  Não há evidência de dano renal em indivíduos saudáveis ou em populações clínicas estudadas.  A creatinina deve ser interpretada com cautela em usuários de creatina, se necessário, usar marcadores mais específicos de função renal. Eu recomendo a suplementação para mulheres com lipedema e com mais de 40 anos com raras exceções.”  – Conclui o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

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Trombose e câncer. Qual a relação?

Um recente estudo acabou de avaliar de forma abrangente:

  • epidemiologia do câncer oculto em pacientes com tromboembolismo venoso não provocado (TEV não provocado)
  • Os mecanismos fisiopatológicos bidirecionais entre câncer e trombose
  • Fatores de risco e estratificação
  • Estratégias atuais de rastreamento oncológico
  • Modelos preditivos e biomarcadores emergentes

O foco central é responder:
👉 Como identificar precocemente câncer oculto em pacientes com TEV não provocado?

📊 Epidemiologia

  • Dentro de 1 ano após TEV não provocado5% a 15% dos pacientes recebem diagnóstico de câncer.
  • Estudos mais recentes mostram incidência menor (≈ 2,4% a 8,8%), provavelmente devido a:
    • Melhor imagem diagnóstica
    • Protocolos clínicos mais eficientes

📌 Conclusão epidemiológica:
TEV não provocado é fator de risco independente para câncer oculto.

🧬 Fisiopatologia – Relação bidirecional

🔹 Câncer induz trombose

  • Tumores liberam:
    • Tissue Factor (TF)
    • Micropartículas pró-coagulantes
  • Ativam:
    • Cascata de coagulação
    • Plaquetas
    • Neutrófilos → formação de NETs
  • Inibem fibrinólise via ↑ PAI-1
  • Resultado: estado hipercoagulável tumoral

🔹 Trombose favorece progressão tumoral

  • Inflamação sistêmica (IL-6, TNF-α)
  • NETs facilitam:
    • Adesão tumoral
    • Metástase

📌 Mensagem central:
Câncer e TEV se retroalimentam biologicamente.

⚠️ Fatores de risco para câncer oculto em TEV não provocado

🔸 Idade

  • 50 anos → risco 6 a 7 vezes maior
  • 80 anos → prevalência de câncer ≈ 9% em 1 ano

🔸 Sexo

  • Dados conflitantes:
    • Alguns estudos: maior risco em homens
    • Outros: maior risco em mulheres
      ➡️ Ainda não conclusivo

🔸 Comorbidades associadas

(Figura 1 do artigo)

CondiçãoIncidência de câncer em 1 anoSIR
Diabetes + TEV4,1%3,28
Doença diverticular + TEV6,2%2,9
Demência + TEV2,8%1,9
Uso prévio de aspirina + TEV6,0–6,7%2,8–3,3

📌 Todas aumentam risco comparado à população geral.

🩸 Localização do trombo e risco de câncer

(Figura 2 do artigo)

Local do tromboIncidência de câncerSIR
Trombose venosa esplâncnica8% nos 3 primeiros meses33
Trombose venosa cerebral4,5% em 1 ano3,35
Trombose arterial de membro inferior2,5% em 6 meses3,28
Trombose venosa retinalNão aumenta risco

📌 Locais “incomuns” de trombose são forte sinal de alerta para câncer oculto.

🔁 TEV recorrente

  • Dois episódios não provocados em <1 ano →
    HR para câncer = 18,5
  • Pacientes com câncer oculto:
    • Recorrência de TEV em 1 ano: 38,6%
    • Sem câncer: 3,8%

📌 TEV recorrente é marcador clínico crítico.

🔍 Estratégias de rastreamento

🔹 Rastreamento limitado (guidelines ISTH)

Inclui:

  • História clínica
  • Exame físico
  • Hemograma e bioquímica
  • RX de tórax
  • Rastreamento oncológico padrão por idade/sexo

🔹 Rastreamento extensivo

Adiciona:

  • TC tórax/abdome/pelve
  • Endoscopia
  • US abdominal
  • Marcadores tumorais
  • PET-CT FDG

⚖️ Evidência dos ensaios clínicos

  • Ensaios randomizados mostram:
    ❌ Rastreamento extensivo não reduz mortalidade global
    ❌ Não reduz taxa de câncer perdido
  • Porém:
    ✔️ PET-CT FDG tem:

    • Sensibilidade ≈ 87%
    • Especificidade ≈ 70%
    • Valor preditivo negativo ≈ 98,9%

📌 Recomendação atual:
Rastreamento limitado inicial, com PET-CT reservado para casos de alto risco ou suspeita persistente.

🧮 Modelos de predição de câncer oculto

🔸 Modelos clássicos

ModeloAUC
RIETE0,59–0,62
SOME0,56

➡️ Baixa capacidade preditiva

🔸 Novo escore VTE Malignancy Score

  • AUC 0,74
  • Sensibilidade 86%
  • Especificidade 89%

🔸 Modelo por Machine Learning (CLOVER)

(Figura e Tabela II)

  • Algoritmo CatBoost
  • Variáveis: idade, sexo, sinais vitais, D-dímero, hemoglobina, plaquetas, creatinina etc.
  • AUC = 0,86
  • PPV = 75%
  • NPV = 93%

📌 Primeira evidência robusta de IA aplicável ao rastreio de câncer oculto em TEV.

🧪 Biomarcadores promissores

BiomarcadorAchado
D-dímero >4000 ng/mLHR 4,1 para câncer
P-selectina solúvel >62 ng/mL + D-dímero >10.000Especificidade 91%
H3Cit-DNA (NETs)↑79% risco a cada 500 ng/mL
Relação neutrófilo/linfócito + CEA + CA19-9 + CA125Sensibilidade ~80%

📌 Biomarcadores + ML = futuro do rastreio personalizado

 Conclusões finais do artigo

” TEV não provocado aumenta risco de câncer oculto. Idade avançada, TEV em locais incomuns e recorrência são sinais de alto risco. O rastreamento limitado é estratégia inicial padrão. A PET-CT é útil em casos selecionados e em breve teremos um uso maior de inteligência artificial e biomarcadores para auxiliar no diagnóstico. O trombo pode ser o primeiro sinal de um tumor silencioso. Detectar cedo salva prognóstico. Mas rastrear tudo indiscriminadamente não funciona — é preciso estratificar risco.” – Finaliza o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

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Pré-treino é bom?

Um recente estudo investigou a associação entre o uso de suplementos pré-treino e a duração média do sono em adolescentes e adultos jovens, considerando que esses produtos contêm altas doses de cafeína e são amplamente utilizados por essa população. Até então, havia escassez de estudos avaliando essa relação específica.

🧪 Desenho e metodologia

  • Tipo de estudo: Observacional transversal
  • Base de dados:
    • Canadian Study of Adolescent Health Behaviors – Wave 2
  • Amostra:
    • 912 participantes
    • Idade: 16 a 30 anos
    • Idade média: 23,4 ± 3,8 anos
  • Coleta de dados:
    • Questionários online (Qualtrics)
    • Recrutamento via redes sociais (Instagram e Snapchat)
  • Exposição principal:
    • Uso de pré-treino (bebidas ou pós) nos últimos 12 meses (sim/não)
  • Desfecho principal:
    • Horas médias de sono por noite nas últimas duas semanas
    • Categorias:
      • ≤5 h
      • 6 h
      • 7 h
      • 8 h (categoria de referência)
      • ≥9 h
  • Covariáveis ajustadas:
    • Idade, sexo, raça/etnia
    • Orientação sexual
    • Escolaridade
    • Sintomas de depressão (PHQ-9)
    • Sintomas de ansiedade (GAD-7)
    • Treinamento de força nos últimos 30 dias
  • Análise estatística:
    • Regressão logística multinomial
    • Resultados expressos como RRR (Relative Risk Ratio)

📊 Resultados principais

🔹 Características da amostra

  • 22,2% relataram uso de pré-treino nos últimos 12 meses
  • Distribuição do sono:
    • ≤5 h: 10,6%
    • 6 h: 25,0%
    • 7 h: 34,9%
    • 8 h: 20,4%
    • ≥9 h: 9,0%

🔹 Associação entre pré-treino e sono

Após ajuste para múltiplos fatores:

  • Usuários de pré-treino apresentaram:
    • 2,53 vezes maior risco de dormir ≤5 horas por noite
    • Comparado a indivíduos que dormiam 8 horas
    • RRR = 2,53 (IC 95%: 1,27–5,05; p = 0,009)
  • Não houve associação significativa entre uso de pré-treino e:
    • Dormir 6 h
    • Dormir 7 h
    • Dormir ≥9 h

➡️ O efeito foi específico para sono muito curto, clinicamente relevante.

🧠 Mecanismos fisiológicos discutidos

Os autores atribuem a associação principalmente ao alto teor de cafeína nos pré-treinos:

  • Dose média de cafeína:
    • ~217–254 mg por dose
    • Alguns produtos chegam a >300 mg por porção
  • Efeitos da cafeína:
    • Bloqueio dos receptores de adenosina
    • Atraso do ritmo de melatonina
    • Ativação do sistema nervoso simpático
      • ↑ frequência cardíaca
      • ↑ pressão arterial
  • Evidências prévias indicam que a cafeína pode:
    • Reduzir a duração do sono
    • Prejudicar a arquitetura do sono
    • Ter efeito residual por até 12–13 horas

📌 Como muitos jovens treinam no fim da tarde ou à noite, o consumo de pré-treino frequentemente ocorre dentro dessa janela crítica.

⚠️ Limitações do estudo

  • Desenho transversal (não permite inferir causalidade)
  • Uso autorrelatado de:
    • Sono
    • Consumo de pré-treino
  • Não foram avaliados:
    • Dose exata de cafeína
    • Frequência de uso
    • Horário de consumo
    • Qualidade do sono (apenas duração)
  • Possível relação bidirecional:
    • Indivíduos que dormem mal podem usar pré-treino para compensar fadiga
  • Amostra não probabilística (recrutamento via redes sociais)

🧾 Conclusão

“ O estudo demonstra que o uso de suplementos pré-treino está associado a redução significativa da duração do sono, especialmente a padrões de sono extremamente curtos (≤5 horas), em adolescentes e adultos jovens. Dada a importância do sono para saúde mental, Desenvolvimento neurocognitivo, performance esportiva, recuperação muscular é fundamental orientar jovens e atletas a evitar pré-treinos 12–14 horas antes de dormir, fazer educação sobre higiene do sono e avaliar criticamente o uso rotineiro desses suplementos” – Explica o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

📌 Mensagem-chave

Suplementos pré-treino podem melhorar a sensação de energia no treino, mas cobram um preço biológico alto no sono, especialmente em cérebros jovens.

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Qual a melhor dieta para quem quer emagrecer em 2026?

Um estudo avaliou se a restrição de sono compromete os efeitos de uma dieta hipocalórica na redução de gordura corporal em adultos com sobrepeso.

👥 Participantes

  • 10 adultos (3 mulheres, 7 homens)
  • Idade média: 41 anos
  • IMC médio: 27,4 kg/m²
  • Todos sedentários, não fumantes e sem distúrbios de sono

🧪 Desenho do Estudo

Estudo randomizado, cruzado, com duas intervenções de 14 dias cada:

🔹 Condições:

  1. 8,5 horas de oportunidade de sono por noite
  2. 5,5 horas de oportunidade de sono por noite
    (usadas em ordem aleatória, separadas por washout ≥ 3 meses)

🔹 Ambos os períodos incluíram:

  • Dieta hipocalórica: 90% do gasto metabólico basal
  • Mesmos horários e quantidade de refeições
  • Medições de composição corporal (DXA), gasto energético, hormônios e fome

🍽️ Dieta e Condições Controladas

  • Calorias/dia: ~1.450 kcal
  • 25% café da manhã, 30% almoço, 35% jantar, 10% lanche noturno
  • Macronutrientes fixos (48% carboidratos, 34% gordura, 18% proteína)
  • Atividade física sedentária e controlada

🛏️ Diferença real de sono

O tempo total de sono medido foi:

  • 7h25 na condição 8,5h
  • 5h14 na condição 5,5h
    ➡ Redução de 131 minutos/dia de sono real (p < 0.001)

📉 Resultados Principais – Composição Corporal

Ambas as condições resultaram em perda de peso semelhante (≈ 3 kg), porém:

🔥 1. Perda de gordura corporal

  • 8,5h sono: perda de 1,4 kg de gordura
  • 5,5h sono: perda de 0,6 kg de gordura
    ➡ 55% MENOS perda de gordura com sono reduzido (p = 0.043)

(figura 2 mostra graficamente a diferença)

💪 2. Perda de massa magra

  • 8,5h sono: perda de 1,5 kg
  • 5,5h sono: perda de 2,4 kg
    ➡ 60% MAIS perda de massa magra (p = 0.002)

Isso significa que a restrição de sono faz o corpo “queimar” músculo em vez de gordura durante a dieta.

🍽️ Fome e Substrato Energético

A restrição de sono levou a:

😋 Aumento da fome

  • Medida por escalas visuais de fome
  • Aumento significativo (p = 0.043)

🔥 Alteração no metabolismo – Respiratory Quotient (RQ)

O RQ aumentou tanto em jejum quanto após refeições:

  • RQ mais alto = menor oxidação de gordura
  • Significativo em jejum (p = 0.042) e pós-prandial (p = 0.038)

(figura 3 mostra esse aumento)

➡ Significa que com pouco sono, o corpo queima menos gordura e armazena mais.

🧬 Hormônios e Neuroendocrinologia

📈 Ghrelin (hormônio da fome)

  • Aumentou significativamente com restrição de sono (p = 0.04)
  • Ghrelin ↑ → fome ↑, retenção de gordura ↑

📉 Epinefrina

  • Redução significativa (p = 0.005)
    ➡ Pode contribuir para um metabolismo mais “econômico”

🔄 Leptina

  • Caiu em ambos os grupos devido à perda de peso
  • Sono não teve efeito independente na leptina

⚙️ Gasto Energético

Apesar de cálculos indiretos sugerirem que o gasto energético total pode ter diminuído ~400 kcal/dia com sono curto, os métodos diretos (água duplamente marcada) mostraram grande variabilidade e não detectaram diferença estatística.

Mas o metabolismo de repouso (RMR) foi menor no grupo com 5,5h:

  • 1505 kcal  1391 kcal (queda de 147 kcal/dia; p = 0.010)

➡ Corpo entra em modo de economia de energia, reduzindo o emagrecimento.

🧠 Interpretação dos autores

A restrição de sono:

  1. Aumenta a fome
  2. Diminui a queima de gordura
  3. Aumenta a perda muscular
  4. Reduz o metabolismo
  5. Cria um estado metabólico que favorece reganho de peso

Ou seja:

❗ Dormir pouco sabota a dieta mesmo quando o déficit calórico é igual.

📌 Conclusão

“ O estudo demonstra que: A quantidade de sono é determinante para a qualidade da perda de peso.
Sono insuficiente reduz pela metade a perda de gordura. Sono insuficiente aumenta em 60% a perda de massa magra. As pessoas devem começar pelo básico antes de saírem correndo para se matricular em academias e começarem planos milagrosos de tratamento. Desligar o celular e telas as 20:00 já é um bom começo principalmente para quem tem Lipedema.” Explcia o Dr Daniel Benitti cirurgião vascular médico com foco no tratamento do Lipedema.

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