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O que é mais importante: peso ou força?

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Um recente estudo investigou se a fraqueza muscular, medida pela força de preensão manual (handgrip strength – HGS), está associada ao tempo até a mortalidade em adultos americanos com mais de 50 anos.

Além disso, os autores quiseram avaliar dois pontos principais:

  1. Se diferentes pontos de corte de fraqueza muscular estão associados ao risco de morte.
  2. Se a combinação desses critérios (fraqueza coletiva) melhora a capacidade de prever mortalidade.

Introdução

A força muscular, especialmente a força de preensão manual, é considerada hoje um biomarcador importante do envelhecimento saudável.

Baixa força muscular está associada a:

  • incapacidade funcional
  • doenças crônicas
  • declínio cognitivo
  • aumento da mortalidade

Alguns estudos mostram inclusive que a força muscular pode prever mortalidade melhor que pressão arterial sistólica em alguns contextos clínicos.

Apesar disso, existem vários pontos de corte diferentes para definir fraqueza, o que dificulta comparações entre estudos.

Para reduzir essa heterogeneidade, o Sarcopenia Definition and Outcomes Consortium (SDOC) propôs novos critérios de fraqueza.

Metodologia

População estudada

  • 14.178 adultos americanos
  • idade ≥ 50 anos
  • dados provenientes do Health and Retirement Study (2006–2018)

A idade média foi 68,8 anos e 55% eram mulheres.

A mortalidade foi confirmada pelo National Death Index.

Avaliação da força muscular

A força foi medida usando dinamômetro de preensão manual.

Os participantes realizaram:

  • duas tentativas em cada mão
  • foi considerado o maior valor obtido

Pontos de corte utilizados

Homens

  • força absoluta < 35,5 kg
  • força / peso corporal < 0,45
  • força / IMC < 1,05

Mulheres

  • força absoluta < 20 kg
  • força / peso corporal < 0,337
  • força / IMC < 0,79

Fraqueza coletiva

Os participantes foram classificados conforme o número de critérios de fraqueza:

  • 0 critérios → não fraco
  • 1 critério
  • 2 critérios
  • 3 critérios

Distribuição da fraqueza

Entre os participantes:

  • 45,9% não tinham fraqueza
  • 18,4% tinham 1 critério
  • 18,5% tinham 2 critérios
  • 17,1% tinham os 3 critérios de fraqueza

Resultados principais

1. Fraqueza muscular aumenta risco de morte

Comparado aos indivíduos com força normal:

  • fraqueza absoluta → 45% maior risco de morte
  • fraqueza ajustada por IMC → 39% maior risco
  • fraqueza ajustada por peso → 33% maior risco

2. Quanto mais critérios de fraqueza, maior o risco

Quando os critérios foram combinados:

Número de critériosAumento do risco de morte
1 critério37%
2 critérios47%
3 critérios69%

Ou seja, a mortalidade aumenta progressivamente com a fraqueza muscular acumulada.

Tempo médio até mortalidade

A análise de sobrevivência mostrou:

  • pessoas com fraqueza grave tinham tempo médio até morte de ~8 anos
  • indivíduos sem fraqueza tinham sobrevida significativamente maior.

Influência do peso corporal

O impacto da fraqueza foi ainda maior em alguns grupos:

Obesidade

Pessoas obesas com fraqueza apresentaram risco ainda maior de morte.

Baixo peso

Indivíduos com baixo peso e fraqueza também tiveram aumento significativo da mortalidade.

Isso sugere interação entre:

  • sarcopenia
  • obesidade
  • fragilidade metabólica.

Interpretação fisiológica

A associação entre fraqueza muscular e mortalidade pode ocorrer porque pessoas mais fracas:

  • têm menor reserva fisiológica
  • toleram pior eventos agudos (infarto, AVC)
  • apresentam maior inflamação
  • têm pior função vascular
  • possuem menor capacidade funcional para lidar com doenças.

Implicações clínicas

Os autores destacam que medir força de preensão manual deveria fazer parte da avaliação clínica rotineira, especialmente em idosos.

A força muscular pode ser um marcador importante para:

  • risco de mortalidade
  • fragilidade
  • incapacidade funcional
  • doenças crônicas.

Intervenções que podem melhorar a força muscular

O estudo cita estratégias que podem ajudar a reduzir o risco:

  • treinamento de força
  • exercícios intervalados
  • aumento da ingestão de proteína
  • suplementação de vitamina D
  • programas de atividade física estruturados.

Limitações do estudo

Os autores apontam algumas limitações:

  • estudo observacional (não prova causalidade)
  • ausência de dados sobre medicamentos
  • possíveis diferenças na execução do teste de força
  • alguns fatores ambientais não avaliados.

Conclusão

“ A fraqueza muscular é um forte preditor de mortalidade em adultos acima de 50 anos. O estudo mostra que a força de preensão manual é um marcador simples e poderoso de saúde usar múltiplos critérios de fraqueza simultaneamente melhora a previsão de mortalidade e quanto menor a força muscular, maior o risco de morte ao longo do tempo. Considero fundamental no tratamento das mulheres com lipedema o ganho de massa muscular. Ao contrário do que elas pensam, elas têm uma genética muito boa para músuclo.

A força muscular não é apenas um indicador de desempenho físico — ela é um marcador importante de longevidade.” – Finaliza o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.

Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.

Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:

 

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