
Um recente estudo avaliou, em escala populacional, o padrão da deficiência de vitamina B12 no Brasil e seu impacto sobre hospitalizações e doenças associadas, utilizando dados dos sistemas público (SUS) e privado entre 2016 e 2023.
Os autores destacam que a deficiência de B12 é subdiagnosticada, crescente, e possui impacto sistêmico amplo, indo muito além da anemia.
🧬 Fundamentos fisiológicos apresentados
A vitamina B12:
• é obtida exclusivamente da dieta (produtos animais)
• depende do fator intrínseco gástrico para absorção ileal
• atua na eritropoiese, síntese de DNA e formação de mielina
A deficiência causa:
• anemia megaloblástica
• neuropatia periférica
• declínio cognitivo
• alterações psiquiátricas
• redução da densidade óssea
• risco cardiovascular aumentado
🇧🇷 Contexto brasileiro
O artigo destaca fatores específicos do Brasil:
• insegurança alimentar
• redução de consumo de proteína animal
• envelhecimento populacional
• uso crescente de metformina e inibidores de bomba de prótons
• desigualdade socioeconômica regional
Prevalência nacional prévia estimada: 6–15%.
🧪 Métodos
• 84 milhões de dosagens de vitamina B12 analisadas
• Dados administrativos nacionais
• Sistemas público e privado
• Deficiência definida como <221 pmol/L (critério OMS/CDC)
• Correlação entre deficiência de B12 e hospitalizações por grandes grupos de doenças
• Análises temporais e regressão multivariada regional
📊 Principais resultados
📈 Crescimento dos testes
• Exames aumentaram 12 vezes
• De 2 milhões (2016) → 25 milhões (2023)
• Mudança de predominância:
- 2016: 94% público
- 2023: 60% privado
(Figura 1 do artigo mostra claramente esse crescimento e a migração para o setor privado)
👩⚕️ Diferença por sexo
• 69% dos exames em mulheres
• Mulheres fizeram 2,3× mais testes
• 80% dos resultados anormais ocorreram em mulheres
Homens realizam menos exames e tendem a ser diagnosticados tardiamente, já com manifestações neurológicas ou cardiovasculares.
⚠️ Prevalência de resultados anormais
• Sistema público: 11% exames anormais (~4 milhões)
• Sistema privado: 12% exames anormais (~6 milhões)
Idade média da deficiência:
• Mulheres: 44–49 anos
• Homens: 44–54 anos
🏥 Hospitalizações associadas à deficiência de B12
Tendência temporal:
• Hospitalizações por deficiência de B12 aumentaram 32%
• 598 casos (2018) → 870 casos (2023)
Correlação com outras deficiências vitamínicas
• B12 × B1: ρ = 0,952
• B12 × B6: ρ = 0,857
Ou seja, deficiências do complexo B crescem em paralelo populacionalmente.
🧠 Correlação com doenças clínicas graves
Hospitalizações por deficiência de B12 correlacionaram-se fortemente com:
| Doença | Correlação (ρ) |
| Anemia | 0,93 |
| Demência | 0,95 |
| Depressão | 0,95 |
| Parkinson | 0,95 |
| Doença inflamatória intestinal | 0,90 |
| AVC | 0,98 |
| Infarto | 0,98 |
Todas com p < 0,001
📉 Análise multivariada ajustada
Mesmo após ajuste por renda, desigualdade regional e carga de comorbidades, a deficiência de B12 permaneceu associada a:
| Condição | RR |
| Anemia | 1,09 |
| Demência | 1,05 |
| AVC | 1,07 |
| Infarto | 1,08 |
Ou seja:
A deficiência de B12 é marcador independente de risco de hospitalização grave.
🧭 Conclusões
“ A deficiência de B12 é problema de saúde pública crescente no Brasil. Está associada a hospitalizações evitáveis. Mulheres são mais testadas e mais diagnosticadas. Homens tendem a ser diagnosticados tardiamente. A deficiência de vitamina B12 é uma epidemia silenciosa, crescente e subdiagnosticada no Brasil, associada a aumento de hospitalizações cardiovasculares, neurológicas, hematológicas e psiquiátricas. Deve sempre ser solicitado nas mulheres com lipedema pois vejo no consultório uma prevalência alta.” – Analisa o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).
💡 Implicações clínicas
✔️ Justifica rastreio em mulheres, idosos e usuários de metformina/IBP
✔️ Explica sintomas neurológicos “inexplicáveis”
✔️ Suporta inclusão de B12 no check-up metabólico
✔️ Fundamenta políticas públicas de suplementação
Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.
Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.
Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:

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