Qual a melhor temperatura para dormir?

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Um recente estudo investigou, em condições reais de vida (fora de laboratório), como a temperatura do quarto durante a noite influencia a frequência cardíaca e a variabilidade da frequência cardíaca (HRV) em adultos mais velhos, como marcador de estresse autonômico e risco cardiovascular.

O estudo parte de um problema relevante de saúde pública:

  • as noites quentes estão se tornando mais frequentes com as mudanças climáticas;
  • existem recomendações da OMS para temperatura interna diurna, mas não há diretrizes específicas para o período noturno.

🧪 Desenho do estudo

  • Estudo observacional, longitudinal, em ambiente domiciliar.
  • Período: um verão completo na Austrália (dezembro/2024 a março/2025).
  • Amostra final:
    • 47 adultos
    • idade ≥ 65 anos
    • 68% mulheres
    • idade mediana: 72 anos.

📍 Local

  • Sudeste de Queensland (Austrália),
  • clima subtropical úmido. t

🧍‍♂️🧍‍♀️ Monitorização fisiológica

Os participantes utilizaram:

  • wearable (Fitbit Inspire 3) no punho, durante todo o período.

Foram coletados, durante o sono noturno:

  • frequência cardíaca
  • variabilidade da frequência cardíaca (HRV)

As medições foram feitas apenas durante períodos identificados como sono, entre:

➡️ 21h e 7h.

🌡️ Monitorização ambiental

Sensores foram instalados no domicílio, incluindo:

  • quarto principal
  • sala principal
  • outro ambiente

O presente estudo utilizou a temperatura do quarto como exposição principal.

  • registro a cada 10 minutos.

🌡️ Classificação das temperaturas noturnas

As temperaturas do quarto foram agrupadas em faixas:

  • < 24 °C (referência)
  • 24–26 °C
  • 26–28 °C
  • 28–32 °C

(>32 °C foi excluído por número insuficiente de horas registradas).

📊 Volume de dados

  • Total de horas noturnas válidas analisadas:
    • 14.179 horas.

⚠️ Definição de alteração clinicamente relevante

  • redução ≥ 1,5 desvios-padrão nos índices de HRV
    ou
  • aumento ≥ 5 bpm na frequência cardíaca noturna.

🧾 Principais resultados

1️⃣ Temperatura média observada no quarto

  • mediana: 25,9 °C.

2️⃣ Aumento da temperatura noturna esteve associado a:

  • redução significativa de:
    • lnRMSSD
    • lnHF
    • lnLF
  • aumento de:
    • ln(LF:HF)
    • frequência cardíaca

Todos com p < 0,001.

📉 Resultado central do estudo

Em comparação com quartos com temperatura:

< 24 °C

as probabilidades de ocorrer redução clinicamente relevante do lnRMSSD foram:

  • 24–26 °C → OR = 1,4
  • 26–28 °C → OR = 2,0
  • 28–32 °C → OR = 2,9

(todas estatisticamente significativas).

❤️ Frequência cardíaca

O risco de aumento clinicamente relevante da frequência cardíaca noturna também aumentou progressivamente conforme a temperatura subia:

  • 24–26 °C → OR = 1,2
  • 26–28 °C → OR = 1,9
  • 28–32 °C → OR = 3,9.

🧠 Interpretação fisiológica dos autores

O conjunto dos achados é compatível com:

👉 deslocamento do balanço autonômico para predominância simpática
👉 menor recuperação vagal durante o sono
👉 maior estresse fisiológico noturno.

🌙 Importante: não é um estudo de sono

Os autores deixam claro que:

  • o objetivo não foi estudar arquitetura do sono,
  • mas usar o período noturno para reduzir interferência de atividade física,
  • isolando melhor o efeito da temperatura sobre o sistema autonômico.

🌍 Implicação em saúde pública

“O estudo reforça que noites quentes são um fator de risco independente e podem somar-se ao estresse térmico diurno criando um estado cumulativo de sobrecarga autonômica. Projeções climáticas indicam que, no futuro, uma parcela maior das mortes relacionadas ao calor ocorrerá por noites quentes, e não apenas por dias quentes. Dormir bem e restaurar o corpo é fundamental para a saúde cardiovascular e para perda de peso. As pessoas precisam valorizar mais isso, principalmente as mulheres com lipedema, pois tem um metabolismo que precisa muito do sistema de restauração do corpo.” – Alerta o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

🧩 Relação com risco cardiovascular

Segundo a discussão do artigo:

  • menor HRV noturna
  • maior frequência cardíaca
  • e predominância simpática

podem representar:

  • marcadores precoces de menor recuperação cardiovascular,
  • potencialmente associados a:
    • hipertensão,
    • eventos cardiovasculares,
    • maior vulnerabilidade ao estresse térmico.

⚠️ Limitações apontadas

  • amostra pequena;
  • população relativamente homogênea;
  • clima subtropical (possível aclimatação ao calor);
  • HRV obtido por PPG de wearable (algoritmo proprietário);
  • não foi possível controlar:
    • uso de ventilador,
    • ventilação natural,
    • estratégias individuais de resfriamento.

✅ Conclusão principal

Temperaturas noturnas no quarto:

👉 acima de 24 °C

estão associadas a:

  • maior probabilidade de disfunção autonômica noturna,
  • maior frequência cardíaca,
  • maior estresse fisiológico.

em adultos com 65 anos ou mais.

Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.

Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.

Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:

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