
UM recente estudo investigou se padrões de distribuição de gordura corporal, quantificados por ressonância magnética (MRI) e identificados por análise de perfis latentes (LPA), estão associados a:
- estrutura cerebral,
- microestrutura da substância branca,
- desempenho cognitivo,
- risco de doenças neurológicas, independentemente do IMC.
O foco central do trabalho é demonstrar que onde a gordura se deposita é mais relevante para o cérebro do que o valor global de IMC.
Desenho do estudo
- Análise secundária de dados prospectivos do UK Biobank.
- Amostra final:
- 25.997 participantes
- Idade média ≈ 55 anos
- 13.536 mulheres e 12.461 homens
- Todos com:
- MRI abdominal,
- MRI cardíaca,
- MRI cerebral,
- dados clínicos e cognitivos completos.
Quantificação da gordura corporal
Foram avaliados depósitos de gordura por MRI, incluindo:
- gordura hepática (PDFF hepático),
- gordura pancreática (PDFF pancreático),
- gordura visceral,
- gordura subcutânea abdominal,
- gordura pericárdica,
- infiltração gordurosa muscular,
- relação peso/músculo,
- razão de gordura abdominal.
Todos os parâmetros foram:
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Os autores utilizaram:
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Método centrado no indivíduo que identifica subgrupos ocultos a partir de padrões multivariados.
Importante:
- a análise foi feita separadamente para homens e mulheres (estratificação por sexo).
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Foram identificados 6 perfis distintos em ambos os sexos:
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- gordura pancreática muito elevada
- demais depósitos não são necessariamente os mais altos
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- gordura hepática muito elevada
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- IMC apenas moderado
- porém:
- gordura visceral elevada
- alta razão gordura abdominal
- alta relação peso/músculo
- maior carga global de adiposidade ectópica
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- todos os depósitos aumentados de forma relativamente homogênea
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- todos os depósitos discretamente reduzidos
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- menor quantidade de gordura em todos os compartimentos
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Os autores analisaram:
1. Volumes cerebrais
- volume cerebral total
- substância cinzenta
- substância branca
- córtex
- núcleos subcorticais
- tronco encefálico
2. Lesões de substância branca
- volume de white matter hyperintensities (WMH)
3. Microestrutura da substância branca (NODDI)
- ICVF – fração intracelular (densidade neurítica)
- ISOVF – fração isotrópica (água livre)
- OD – dispersão de orientação
4. Envelhecimento cerebral
- cálculo de brain age gap
(idade cerebral estimada menos idade cronológica)
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Comparando-se todos os perfis ao perfil magro (perfil 6):
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- menor volume cerebral total
- menor volume de substância cinzenta
- maior volume de hiperintensidades de substância branca
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Foram os que apresentaram:
- maior atrofia de substância cinzenta
- maior carga de lesões de substância branca
- maior comprometimento cortical
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A atrofia cortical foi predominante em:
- regiões frontais
- regiões temporais
ou seja:
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- memória,
- funções executivas,
- linguagem,
- regulação emocional.
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Nos perfis 1, 2 e 3, especialmente em homens:
- redução da fração intracelular (↓ ICVF)
- aumento da fração de água livre (↑ ISOVF)
Interpretação biológica proposta pelos autores:
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- neuroinflamação,
- lipotoxicidade,
- edema microestrutural.
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Em homens:
- perfis 1 a 4 apresentaram brain age gap aumentado
→ cérebro biologicamente mais velho do que a idade cronológica.
Em mulheres:
- essa associação foi menos evidente.
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Foram avaliados:
- velocidade psicomotora
- memória prospectiva
- memória visual
- memória de trabalho
- raciocínio verbal-numérico
- escore cognitivo global
Principais achados:
Homens
- pior velocidade psicomotora nos perfis 1, 3 e 4
- pior memória prospectiva nos perfis 1, 2 e 3
- pior memória visual no perfil 3
Mulheres
- pior velocidade psicomotora nos perfis 1, 3, 4 e 5
- pior memória visual principalmente no perfil 1
- pior escore cognitivo global no perfil 1
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Foram avaliadas diversas categorias de doenças neurológicas e psiquiátricas:
- ansiedade
- depressão
- AVC
- epilepsia
- entre outras
Resultados principais:
- aumento consistente do risco de:
- transtornos de humor
- doenças neurológicas em geral
Perfis de maior risco:
- homens: perfil 3 (skinny-fat)
- mulheres: perfis 1 (pancreático), 2 (hepático) e 3
Exemplos destacados no artigo:
- maior risco de AVC
- maior risco de epilepsia (particularmente em mulheres com perfil pancreático)
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“A gordura pancreática emerge como um marcador particularmente forte de risco neurodegenerativo. O estudo demonstra de forma robusta que IMC é um marcador pobre para estimar risco cerebral. Pessoas com IMC moderado, mas com gordura visceral elevada,
gordura pancreática elevada e gordura ectópica muscular podem apresentar maior atrofia cerebral, pior desempenho cognitivo, maior risco de doenças neurológicas. As mulheres com lipedema, ao acumular a gordura nas pernas tem uma proteção natural contra demência e declínio cognitivo.” – Resume o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).
Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.
Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.
Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:


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