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Lipedema protege?

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Um recente estudo propõe testar a “Immunological Shield Hypothesis”, que sugere que o fenótipo de lipedema (ou um fenótipo DXA-definido semelhante) — caracterizado por acúmulo gluteofemoral desproporcional — poderia exercer um efeito imunomodulador protetor contra autoimunidade mediada por Th1, como a doença celíaca (DC).

📌 2️⃣ Desenho do estudo

  • Base de dados: NHANES 2011–2014
  • Amostra final: 3.833 mulheres adultas
  • Casos de doença celíaca: n = 11 (prevalência ponderada 0,56%)
  • Definição de DC: sorologia dupla positiva (tTG-IgA + EMA-IgA)
  • Definição de fenótipo lipedema-like:
    • Razão gordura perna/tronco > percentil 90

Estudo transversal, populacional, com análise ponderada por desenho complexo do NHANES.

📌 3️⃣ Principais achados

🧬 A) Mulheres com doença celíaca apresentaram:

  • 7,4% menos gordura ginecoide (39,5% vs 42,6%, p=0.0007)
  • 14,1% menor razão perna/tronco
  • 20,3% menos massa de gordura em pernas
  • IMC semelhante ao grupo controle

Importante:
Essa diferença persistiu em mulheres com sobrepeso e obesidade, afastando viés de desnutrição.

Em obesas, a redução chegou a 11,3% (p=0.039).

🧬 B) Fenótipo lipedema-like apresentou perfil metabólico favorável:

Comparado aos controles:

  • 🔹 44,2% menor HOMA-IR (p<0.001)
  • 🔹 7,6% menor NLR (marcador inflamatório) (p=0.012)
  • 🔹 13,1% menor leucócitos totais
  • 🔹 Odds ratio para diabetes: 0,21 (p<0.001)

O efeito metabólico foi mais forte em sobrepeso e obesidade.

📌 4️⃣ O que NÃO foi encontrado

  • A prevalência do fenótipo lipedema-like NÃO diferiu significativamente entre grupos (p=0.570).
  • Não houve relação dose-resposta por quartis.

Contudo:
O estudo reconhece que n=11 casos de DC é insuficiente para testar diferenças de prevalência.

Cálculo pós-hoc indica necessidade de 225–600 casos para poder adequado.

📌 5️⃣ Interpretação biológica proposta

“O artigo propõe que o tecido adiposo gluteofemoral funciona como “metabolic sink”. A gordura do lipedema apresenta maior secreção de adiponectina, suprime a diferenciação Th1, reduze IFN-γ e gera um ambiente imunológico menos propenso a autoimunidade. O artigo levanta uma hipótese relevante: Se o tecido gluteofemoral é imunomodulador a remoção cirúrgica em grande volume poderia alterar o perfil imunometabólico? Poderia impactar risco autoimune? Isso é levantado como hipótese para estudos prospectivos.”  – Explica o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

📌 7️⃣ Limitações

  • Apenas 11 casos de DC
  • Estudo transversal
  • Fenótipo DXA ≠ diagnóstico clínico de lipedema
  • Sem dosagem direta de adiponectina
  • Diferença étnica importante entre grupos

Os autores reconhecem claramente que:

O estudo é gerador de hipótese, não confirmatório.

📌 8️⃣ Conclusão central

O estudo demonstra:

✔ Divergência fenotípica consistente
✔ Redução significativa de gordura ginecoide em DC
✔ Perfil imunometabólico favorável no fenótipo lipedema-like

Fornece suporte preliminar à hipótese de que a adiposidade gluteofemoral pode atuar como moduladora imunológica.

Mas:

⚠ Não prova proteção direta contra doença celíaca.
⚠ Exige validação em coortes maiores.

🎯 Essência do artigo em uma frase:

A distribuição da gordura corporal pode representar um modulador imunometabólico relevante na susceptibilidade à autoimunidade

Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.

Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.

Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:

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