
Um recente artigo propõe que os alimentos ultraprocessados (UPFs) devem ser analisados não apenas sob a ótica da nutrição, mas também sob o marco conceitual da ciência da dependência (addiction science), mostrando que:
os UPFs são produtos deliberadamente engenheirados para maximizar recompensa, consumo repetido e lucratividade, de forma muito semelhante ao que foi feito historicamente com os cigarros.
Os autores defendem que essa similaridade deve orientar políticas públicas, regulação e responsabilização da indústria.
Cigarros e alimentos ultraprocessados:
não são apenas produtos de consumo,
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Ambos:
- sequestram mecanismos biológicos normais de recompensa,
- reduzem a capacidade de autorregulação alimentar,
- ampliam consumo compulsivo,
- contribuem diretamente para doenças evitáveis em larga escala.
![]()
![]()
A literatura tradicional em nutrição analisa alimentos em termos de:
- nutrientes,
- densidade calórica,
- macro e micronutrientes.
O artigo propõe que os UPFs devem ser analisados também como:
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Os autores organizam a comparação em cinco grandes dimensões.
![]()
![]()
Nos cigarros:
- o teor de nicotina é cuidadosamente calibrado para produzir prazer,
- mas evitar aversão (náusea, tontura, desconforto).
Nos UPFs:
- ocorre a mesma lógica com:
- carboidratos refinados
- gorduras adicionadas.
A indústria busca um “ponto ótimo” sensorial:
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Os autores mostram que:
- UPFs frequentemente contêm concentrações de carboidratos e gorduras muito superiores às encontradas em alimentos naturais.
![]()
![]()
Um dos pontos mais relevantes do artigo.
Os autores demonstram que:
- carboidratos e gorduras ativam vias distintas de recompensa no intestino e no cérebro;
- quando consumidos juntos, produzem resposta dopaminérgica supra-aditiva.
Isso gera:
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Esse padrão:
- praticamente não existe na natureza,
- mas é extremamente comum nos UPFs mais consumidos (pizza, sorvete, chocolate, salgadinhos).
![]()
![]()
Assim como o cigarro foi engenheirado para:
- entregar nicotina ao cérebro em segundos,
os UPFs são projetados para:
- acelerar digestão,
- acelerar absorção,
- acelerar chegada dos nutrientes ao sistema nervoso.
Isso ocorre porque o processamento industrial:
- destrói a matriz alimentar natural,
- remove fibras, água e proteínas estruturais,
- utiliza enzimas e técnicas de pré-digestão.
Os autores descrevem os UPFs como:
![]()
![]()
![]()
O resultado é:
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Tanto cigarros quanto UPFs são projetados para:
- produzir um pico rápido de prazer,
- seguido de queda rápida.
No caso dos UPFs, isso é obtido por:
- engenharia de aromas voláteis,
- sabores que desaparecem rapidamente,
- textura que se dissolve rápido na boca.
Os autores mostram que a própria indústria reconhece que:
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Além disso, o pico glicêmico rápido:
- pode ser seguido de queda glicêmica,
- gerando fadiga, irritabilidade e renovação do desejo por alimento.
O padrão se assemelha ao ciclo:
pico → queda → desejo → novo consumo.
![]()
![]()
Assim como a indústria do tabaco utiliza:
- aromatizantes,
- mentol,
- aditivos sensoriais,
os UPFs utilizam:
- aromatizantes artificiais,
- corantes,
- emulsificantes,
- estabilizantes,
- realçadores de sabor,
- moduladores de textura.
O objetivo não é apenas palatabilidade.
É:
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Os autores destacam que:
- muitos sabores simulam alimentos naturais sem conter o alimento real,
- ocorre dissociação entre sabor e valor nutricional.
![]()
![]()
O artigo descreve em detalhe o papel:
- do sistema dopaminérgico mesolímbico,
- da aprendizagem por reforço,
- da associação entre pistas ambientais e recompensa.
Mostra que:
- a dopamina liberada por açúcar pode ser comparável à de substâncias psicoativas em modelos animais,
- a resposta aumenta ainda mais quando carboidrato e gordura são combinados.
O cérebro humano evoluiu para buscar:
- energia,
- carboidratos,
- gordura,
mas não para lidar com:
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Outro eixo central do artigo.
Tanto cigarros quanto UPFs foram:
- tornados altamente estáveis,
- fáceis de armazenar,
- fáceis de transportar,
- disponíveis em praticamente qualquer ambiente.
Os autores mostram que:
- a redução do “atrito” entre desejo e consumo é intencional,
- vending machines, drive-thru, delivery apps e micro-embalagens replicam o papel histórico da infraestrutura do tabaco.
Isso cria:
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
“A principal conclusão política do artigo é: Alimentos ultra processados devem ser tratados como produtos industriais de risco populacional, e não apenas como escolhas individuais. Os autores defendem explicitamente a adaptação das ferramentas usadas no controle do tabaco: restrição de marketing infantil, rotulagem mais clara, restrição de venda em escolas e hospitais e responsabilização corporativa. A história do tabaco oferece um roteiro claro para evitar que a crise dos ultraprocessados siga o mesmo curso de décadas de atraso regulatório.” – Aponta o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).
Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.
Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.
Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:

Leave A Comment