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Vitamina D tem relação com dor?

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Um recente estudo investigou se níveis baixos de vitamina D antes da cirurgia estão associados a:

  • mais dor pós-operatória,
  • maior necessidade de opioides,
  • pior recuperação em mulheres submetidas à mastectomia radical modificada unilateral por câncer de mama.

Contexto fisiológico

Os autores destacam que a vitamina D não atua apenas em:
🦴 cálcio
🦴 osso

Ela também participa de:
🧬 modulação imunológica
🧬 inflamação
🧬 percepção da dor
🧬 citocinas inflamatórias
🧬 sensibilização nervosa

Evidências anteriores já mostravam associação entre deficiência de vitamina D e:

  • dor musculoesquelética,
  • dor crônica,
  • dor oncológica,
  • maior uso de opioides.

Desenho do estudo

Tipo

📌 estudo prospectivo observacional

Realizado no:
🏥 Fayoum University Hospital (Egito)

Período:
📅 setembro de 2024 a abril de 2025.

Participantes

Total:

👩 184 mulheres

Todas:

  • ASA II–III,
  • 20–65 anos,
  • submetidas à mastectomia radical modificada unilateral eletiva.

Divisão dos grupos

As pacientes foram separadas conforme vitamina D sérica pré-operatória:

Grupo deficiência

☀️ vitamina D <30 nmol/L

n = 92

Grupo suficiente

☀️ vitamina D ≥30 nmol/L

n = 92

O que foi avaliado?

Desfecho principal

Dor moderada/intensa:
📌 NRS >3
12 horas após cirurgia.

Outros desfechos

Os pesquisadores também avaliaram:

  • consumo intraoperatório de fentanil,
  • consumo pós-operatório de tramadol,
  • náusea/vômitos,
  • sedação,
  • estabilidade hemodinâmica,
  • satisfação da paciente,
  • tempo de internação.

Resultados principais

🚨 Pacientes com deficiência de vitamina D tiveram MAIS DOR

Dor moderada/intensa após 12h:

Deficientes:

📌 17,4%

Suficientes:

📌 2,2%

Diferença absoluta:
⚠️ 15,2%

A diferença apareceu cedo

Após apenas:
🕕 6 horas

Dor moderada/intensa:

Deficientes:

32,6%

Suficientes:

19,6%

Maior carga total de dor

Os autores utilizaram:
📊 AUC (área sob a curva de dor)

Resultado:
🚨 pacientes deficientes tiveram maior carga total de dor nas primeiras 24h.

🚨 Mais necessidade de opioides

Fentanil intraoperatório

Pacientes deficientes precisaram mais fentanil:
📌 +8 mcg em média.

Tramadol pós-operatório

A diferença foi enorme:

Deficientes:

📌 380 mg

Suficientes:

📌 268 mg

Diferença:
⚠️ +112 mg de tramadol.

Tempo de internação

Também houve:
🏥 internação discretamente maior
nas pacientes deficientes.

Regressão logística

Mesmo ajustando para:

  • idade,
  • IMC,
  • ASA,
  • duração da cirurgia,
  • uso de fentanil, a deficiência de vitamina D permaneceu associada a:

🚨 maior risco de dor moderada/intensa.

OR ajustado:

📌 3,12

Ou seja:
mais de 3 vezes maior chance de dor significativa no pós-operatório.

Possíveis mecanismos fisiológicos

“ A vitamina D pode modular dor através de redução de citocinas inflamatórias como TNF-alfa, IL-6, prostaglandina E2.  Além disso, a deficiência de vitamina D pode contribuir para sensibilização periférica, hipersensibilidade nervosa, sensibilização central, diminuindo o limiar de dor. Isso é muito importante para as mulheres com lipedema pois grande parte delas é deficiente em vitamina D.”  – Comenta o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

Relação com câncer de mama

Os autores reforçam que:
🚨 deficiência de vitamina D é extremamente comum em pacientes com câncer de mama.

E pode estar relacionada a:

  • progressão tumoral,
  • pior inflamação,
  • pior qualidade de vida.

Limitações do estudo

Os autores reconhecem limitações importantes:

❌ estudo observacional

Não prova causalidade.

❌ centro único

Todas pacientes egípcias.

❌ seguimento curto

Apenas 24h.

❌ não avaliaram:

  • ansiedade,
  • depressão,
  • qualidade do sono,
  • marcadores inflamatórios,
  • estágio tumoral.

Conclusão do estudo

Os autores concluem que:

🚨 deficiência de vitamina D antes da cirurgia esteve associada a:

  • mais dor pós-operatória,
  • maior consumo de opioides,
  • pior recuperação imediata.

E sugerem que:
📌 corrigir vitamina D antes da cirurgia pode se tornar estratégia importante no manejo da dor pós-operatória.

Interpretação clínica importante

O artigo reforça um conceito cada vez mais forte:

🧬 vitamina D não é apenas “vitamina do osso”.

Ela participa de:

  • imunidade,
  • inflamação,
  • função neurológica,
  • percepção de dor,
  • recuperação cirúrgica.

E talvez explique porque pacientes com deficiência:
⚠️ sentem mais dor
⚠️ usam mais opioides
⚠️ recuperam pior
⚠️ apresentam mais sensibilização inflamatória.

Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.

Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.

Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:

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