Tirzepatida

GLP-1 e tirzepatida: qual o melhor para perder peso?

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Medicamentos como semaglutida, liraglutida e tirzepatida transformaram o tratamento da obesidade. Eles reduzem a fome, aumentam a saciedade, retardam o esvaziamento gástrico e ajudam muitas pessoas a perder uma quantidade significativa de peso.

Mas existe um ponto que ainda recebe pouca atenção: quando o apetite diminui muito, a paciente pode passar a comer menos do que o necessário não apenas em calorias, mas também em proteínas, vitaminas e minerais.

Um estudo publicado em 2026 no Journal of Translational Medicine avaliou o consumo alimentar de 387 adultos em uso de agonistas de GLP-1 ou do agonista duplo GIP/GLP-1. Os participantes utilizavam semaglutida, liraglutida, dulaglutida ou tirzepatida e preencheram diários alimentares referentes a um dia útil e a um dia de fim de semana.

Os resultados chamam atenção.

A ingestão média relatada foi de apenas:

  • 753 kcal por dia;
  • 33,4 g de proteína por dia;
  • 26,5 g de gordura;
  • 96,4 g de carboidratos.

A grande maioria dos participantes não atingia as recomendações de proteína, e também foram observadas inadequações importantes de micronutrientes, especialmente vitamina D, cálcio e potássio.

O problema não é apenas comer pouco

Para muitas pessoas, observar uma ingestão calórica muito baixa pode parecer algo positivo, afinal o objetivo do tratamento é reduzir o peso.

Mas o organismo não perde apenas gordura.

Quando existe uma combinação de:

  • redução intensa do apetite;
  • baixa ingestão de proteína;
  • ausência de treinamento de força;
  • perda rápida de peso;
  • baixa qualidade alimentar;

Parte relevante do peso perdido pode vir da massa muscular.

O artigo discute que, sem intervenções adequadas, até 25% a 30% do peso perdido pode corresponder a tecido magro. Isso aumenta o risco de obesidade sarcopênica, condição na qual a pessoa continua apresentando excesso de gordura, mas perde músculo, força e capacidade funcional.

Esse cenário pode trazer consequências como:

  • maior fraqueza;
  • pior disposição;
  • redução do gasto energético;
  • maior risco de quedas e fraturas;
  • pior controle glicêmico;
  • redução da capacidade de realizar exercícios;
  • maior dificuldade para manter o peso perdido;
  • recuperação de gordura após a suspensão do medicamento.

Por isso, perder muitos quilos rapidamente não significa necessariamente que o tratamento esteja produzindo a melhor composição corporal possível.

Proteína: quantidade absoluta importa

Um dos achados mais relevantes foi a associação entre maior ingestão total de proteína e maior perda de peso.

Isso pode parecer contraditório para quem acredita que comer mais proteína atrapalharia o déficit calórico. Na prática, a proteína pode ajudar porque:

  • aumenta a saciedade;
  • possui maior efeito térmico;
  • ajuda a preservar massa muscular;
  • favorece a recuperação após o exercício;
  • melhora a qualidade das refeições;
  • reduz a chance de que o paciente sobreviva apenas de pequenas quantidades de alimentos pouco nutritivos.

Os autores sugerem uma meta aproximada de 1,2 g de proteína por quilo de peso-alvo, o que corresponderia, para muitos pacientes, a aproximadamente 75 a 90 g por dia. No estudo, porém, a média foi de apenas 33,4 g.

Isso significa que muitos participantes consumiam menos da metade da quantidade considerada adequada pelos próprios autores.

Entretanto, a necessidade proteica deve ser individualizada. Idade, massa muscular, função renal, nível de atividade física, presença de sarcopenia e tolerância gastrointestinal precisam ser considerados.

Nem toda proteína animal é igual

O estudo encontrou uma associação inesperada: maior consumo de proteína animal esteve relacionado a menor perda de peso.

Esse resultado não significa que ovos, peixes, iogurte, carnes magras ou outras fontes animais prejudiquem o emagrecimento.

Os próprios autores levantam uma hipótese mais provável: parte da proteína animal consumida poderia estar vindo de alimentos como:

  • embutidos;
  • carnes processadas;
  • refeições prontas;
  • produtos ricos em gordura saturada;
  • alimentos com grande quantidade de sódio.

Nesses casos, a proteína vem acompanhada de pior qualidade nutricional.

O estudo não separou adequadamente peixe, ovos, carnes magras, laticínios e carnes processadas. Portanto, não é possível concluir que “proteína animal engorda” ou que deve ser evitada.

A interpretação mais cuidadosa é: a fonte da proteína importa.

Sódio elevado pode ser um marcador de alimentos ultraprocessados

Maior consumo de sódio também esteve associado a menor redução de peso e de IMC.

O sódio pode influenciar temporariamente o peso por retenção de líquidos. Mas também pode funcionar como um marcador indireto de uma alimentação com maior presença de:

  • ultraprocessados;
  • embutidos;
  • salgadinhos;
  • molhos;
  • refeições industrializadas;
  • carnes processadas;
  • produtos ricos em gordura e calorias.

Por isso, olhar apenas a quantidade de proteína sem analisar o alimento que a fornece pode levar a conclusões erradas.

Uma refeição com peixe, vegetais e azeite não possui o mesmo impacto nutricional que uma refeição baseada em embutidos, queijo processado e produtos prontos, mesmo que ambas apresentem quantidades semelhantes de proteína.

Tirzepatida versus agonistas de GLP-1

Os usuários de tirzepatida consumiram um pouco mais de proteína total e proteína animal e menos carboidratos do que os usuários de agonistas de GLP-1 isolados.

Ainda assim, a ingestão proteica absoluta continuou baixa.

Depois dos ajustes estatísticos, o tipo de medicamento não foi um preditor independente da magnitude da perda de peso. O tempo de tratamento foi o fator mais fortemente associado ao resultado.

É importante não interpretar esse achado como prova de que semaglutida, liraglutida e tirzepatida possuem a mesma eficácia. O estudo foi observacional, não controlou adequadamente as doses e reuniu diferentes medicamentos no mesmo grupo.

Ensaios clínicos randomizados continuam sendo mais adequados para comparar a eficácia farmacológica entre as medicações.

Aumentar a dose nem sempre é a melhor decisão

Quando o paciente já apresenta:

  • pouco apetite;
  • dificuldade para atingir proteína;
  • náuseas;
  • constipação;
  • perda acelerada de peso;
  • redução da força;
  • piora da ingestão alimentar;

aumentar a dose automaticamente pode agravar o problema.

O objetivo não deve ser eliminar completamente a fome. A fome é um sinal fisiológico necessário para garantir ingestão de nutrientes.

O medicamento deve ajudar a controlar o excesso de fome e melhorar a relação com a alimentação, não tornar o paciente incapaz de comer adequadamente.

A musculação é parte do tratamento

A proteína isoladamente não preserva todo o músculo.

O estímulo mecânico do treinamento resistido é fundamental para que o organismo tenha motivo para manter a massa muscular durante o déficit energético.

Um tratamento bem estruturado deve combinar:

  • medicação, quando indicada;
  • alimentação individualizada;
  • ingestão proteica adequada;
  • musculação;
  • sono;
  • acompanhamento da composição corporal;
  • correção de deficiências nutricionais.

Conclusão

“ Os agonistas de GLP-1 e GIP/GLP-1 são ferramentas muito eficazes no tratamento da obesidade. Podem ser aliados no tratamento das mulheres com lipedema mas ainda não temos estudos. Mas sua capacidade de reduzir intensamente o apetite exige acompanhamento. O estudo mostra que muitos pacientes podem estar consumindo quantidades muito baixas de energia e proteína, além de apresentar risco de inadequação de micronutrientes. O sucesso do tratamento não deve ser medido apenas pela quantidade de peso perdido, mas pela qualidade do peso perdido e pela saúde preservada durante o processo. Perder gordura é desejável. Perder músculo, força, qualidade nutricional e capacidade funcional não é.” – Analisa o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.

Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.

Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:

 

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