elder-woman-struggling-with-high-temperature_23-2149456746-jpg-740×493-

Depois dos 65 anos, sua capacidade física pode dizer mais sobre sua saúde do que os exames de sangue

Rate this post

Quando pensamos em longevidade, geralmente olhamos para exames laboratoriais, diagnósticos, medicamentos e histórico familiar. Todos esses fatores são importantes, mas uma nova pesquisa sugere que também deveríamos fazer perguntas muito mais simples:

Você consegue levantar-se de uma cadeira sem usar os braços?
Por quanto tempo consegue permanecer apoiado em apenas uma perna?
Com que agilidade consegue levantar, caminhar alguns metros e sentar novamente?

As respostas podem revelar algo essencial: a sua reserva funcional, ou seja, a capacidade que o organismo possui para enfrentar doenças, quedas, internações e os desafios naturais do envelhecimento.

Um estudo publicado no JAMA Network Open acompanhou 13.423 adultos com 65 anos ou mais e mostrou que melhor equilíbrio, agilidade, força muscular e condicionamento cardiorrespiratório estavam associados a uma menor mortalidade ao longo de sete anos.

Não basta ser ativo: é preciso observar o que o corpo consegue fazer

Atividade física e aptidão física não são exatamente a mesma coisa.

A atividade física representa o comportamento: caminhar, treinar, subir escadas, trabalhar no jardim ou praticar algum esporte.

A aptidão física representa a capacidade construída por esses hábitos ao longo da vida: força, equilíbrio, mobilidade, flexibilidade e resistência cardiorrespiratória.

Uma pessoa pode afirmar que se mantém ativa, mas ainda apresentar dificuldade para levantar-se de uma cadeira, caminhar rapidamente ou sustentar o equilíbrio. Por outro lado, testes físicos objetivos mostram o que o organismo realmente consegue executar naquele momento.

Por isso, os pesquisadores quiseram saber se a aptidão física medida de forma objetiva poderia acrescentar informações sobre o risco de morte, mesmo depois de considerar a atividade física relatada, o peso corporal, as condições socioeconômicas e diferentes doenças.

Como o estudo foi realizado?

A pesquisa incluiu 13.423 idosos residentes na comunidade em Taiwan:

  • idade média de 72,9 anos;
  • 62,5% eram mulheres;
  • 32,8% relatavam pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada;
  • acompanhamento mediano de sete anos;
  • 1.631 mortes durante o período, correspondendo a 12,2% dos participantes.

Todos realizaram uma bateria padronizada de sete testes, distribuídos em quatro áreas da aptidão física.

Condicionamento cardiorrespiratório

Foi utilizado o teste de marcha estacionária por dois minutos. O participante elevava alternadamente os joelhos até uma altura individualizada, e o número de movimentos válidos era registrado.

Força muscular

A força dos braços foi avaliada pela quantidade de flexões de cotovelo realizadas em 30 segundos com um peso padronizado.

A força dos membros inferiores foi medida pelo teste de sentar e levantar da cadeira durante 30 segundos, sem apoio dos braços.

Equilíbrio e agilidade

O equilíbrio foi avaliado pelo tempo que o participante conseguia permanecer apoiado em uma perna, com os olhos abertos, até o limite de 30 segundos.

A mobilidade foi medida pelo teste de levantar da cadeira, caminhar 2,44 metros, contornar um cone, voltar e sentar novamente. Quanto menor o tempo, melhor o desempenho.

Flexibilidade

Foram avaliadas a mobilidade dos ombros e a flexibilidade da parte posterior das pernas.

Os pesquisadores também criaram um índice geral de aptidão física combinando o desempenho nos sete testes.

Os resultados mais importantes

Os participantes foram divididos em cinco grupos, do pior ao melhor desempenho. Mesmo após ajustes para idade, sexo, IMC, atividade física, condições socioeconômicas e doenças preexistentes, os indivíduos com melhor aptidão apresentaram menor mortalidade.

Na comparação entre o grupo de melhor desempenho e o de pior desempenho:

  • melhor resultado no teste de agilidade esteve associado a uma mortalidade 59% menor;
  • melhor equilíbrio em uma perna esteve associado a uma mortalidade 50% menor;
  • maior força para levantar da cadeira esteve associada a uma mortalidade 45% menor;
  • melhor condicionamento no teste de dois minutos esteve associado a uma mortalidade 42% menor;
  • o melhor índice geral de aptidão física esteve associado a uma mortalidade 61% menor.

O índice que reuniu todos os componentes apresentou a associação mais forte. Isso indica que o envelhecimento saudável não depende de uma única capacidade isolada, mas da combinação entre força, equilíbrio, agilidade, mobilidade, flexibilidade e resistência.

Também foi observada uma relação gradual: à medida que o desempenho melhorava, a mortalidade diminuía. Não era apenas uma diferença entre pessoas completamente frágeis e atletas. Melhorias ao longo de diferentes níveis de aptidão já estavam relacionadas a resultados mais favoráveis.

Equilíbrio e agilidade foram os grandes destaques

Entre os testes individuais, o melhor resultado foi observado naquele que exigia levantar da cadeira, caminhar, contornar um obstáculo e sentar novamente.

Esse movimento aparentemente simples reúne diversas funções:

  • força nas pernas;
  • coordenação;
  • equilíbrio;
  • velocidade;
  • capacidade de mudar de direção;
  • confiança para caminhar;
  • integração entre os sistemas muscular, nervoso e cardiovascular.

Um desempenho ruim pode indicar uma redução da reserva fisiológica antes mesmo que apareça uma incapacidade evidente.

O equilíbrio em uma perna também se destacou. A capacidade de sustentar o corpo sobre uma base reduzida depende de visão, sistema vestibular, sensibilidade, força muscular e controle neuromotor. Quando um desses componentes se deteriora, aumentam as chances de instabilidade e quedas.

Quedas podem iniciar uma sequência perigosa: fratura, internação, imobilidade, perda adicional de músculo, dependência e maior mortalidade. Portanto, equilíbrio e agilidade não são apenas habilidades esportivas. São componentes fundamentais da autonomia.

A força das pernas pode ser mais importante do que parece

“ Levantar-se de uma cadeira é uma das tarefas mais relevantes da vida cotidiana. Precisamos dessa capacidade para usar o banheiro, sair da cama, entrar em um carro e preservar a independência.No estudo, melhor desempenho no teste de sentar e levantar esteve associado a uma mortalidade 45% menor. A análise sugeriu que, especialmente entre os homens, os benefícios eram mais acentuados nos níveis inferiores de desempenho. A mortalidade diminuía de forma importante até aproximadamente 15 repetições em 30 segundos, com uma tendência de estabilização depois desse ponto. Isso não significa que 15 repetições sejam um limite universal ou uma meta aplicável a todas as pessoas. Idade, sexo, doenças, dor, altura da cadeira e técnica influenciam o resultado. O dado mostra, principalmente, que retirar uma pessoa da faixa de pior desempenho pode trazer um ganho proporcionalmente maior do que tentar transformar alguém já funcional em um atleta.” – Explica o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

Homens e mulheres apresentaram algumas diferenças

Nos homens, equilíbrio, agilidade e condicionamento cardiorrespiratório foram os componentes mais fortemente associados à menor mortalidade.

Nas mulheres, a força dos membros inferiores apresentou importância semelhante à do equilíbrio e da agilidade.

Os autores destacam que a preservação da força nas pernas pode ter relevância especial nas mulheres mais velhas, considerando a maior frequência de osteoporose e, dependendo dos critérios utilizados, de sarcopenia. A combinação de fraqueza muscular, instabilidade e fragilidade óssea eleva as consequências de uma queda.

Essas diferenças não significam que homens não precisem treinar força ou que mulheres devam negligenciar o condicionamento aeróbico. A mensagem é que uma avaliação individual pode ajudar a identificar qual capacidade necessita de maior atenção.

A aptidão física funciona como um sinal vital do envelhecimento

Uma lista de diagnósticos mostra as doenças acumuladas por uma pessoa. Os testes funcionais revelam quanto de capacidade ela preservou apesar dessas doenças.

Duas pessoas da mesma idade, com diabetes e hipertensão semelhantes, podem apresentar reservas completamente diferentes. Uma consegue caminhar rapidamente, equilibrar-se e levantar-se com facilidade; a outra já demonstra lentidão, fraqueza e instabilidade.

Essa diferença pode não aparecer em um exame de sangue, mas pode influenciar profundamente a resposta a uma infecção, cirurgia, hospitalização ou queda.

A aptidão física não substitui a avaliação de doenças, fragilidade ou sarcopenia. Ela complementa essas informações com uma medida objetiva e modificável da capacidade funcional.

O que esse estudo ensina para a prática?

A principal mensagem não é que todas as pessoas com mais de 65 anos devam alcançar um desempenho específico. O mais importante é avaliar diferentes capacidades, identificar deficiências e acompanhar a evolução.

Um programa completo para o envelhecimento deve contemplar:

  • exercícios de força, principalmente para os membros inferiores;
  • estímulos de equilíbrio e controle corporal;
  • atividades que preservem agilidade e mobilidade;
  • condicionamento cardiorrespiratório;
  • flexibilidade suficiente para as tarefas cotidianas.

O treinamento precisa ser individualizado de acordo com doenças, histórico de quedas, dor, medicamentos e nível funcional. Testes de equilíbrio e mobilidade também exigem supervisão e medidas de segurança, especialmente em pessoas frágeis.

O estudo sugere que os maiores benefícios podem ocorrer justamente entre aqueles com pior aptidão inicial. Nunca ter treinado ou estar há muito tempo parado não significa que seja tarde demais. Pessoas idosas, inclusive aquelas com algum grau de fragilidade, podem melhorar força, equilíbrio e capacidade aeróbica com intervenções adequadas.

A mensagem final

Depois dos 65 anos, saúde não é apenas a ausência de doenças. É também ter força para levantar, equilíbrio para permanecer em pé, agilidade para caminhar com segurança e resistência para realizar as atividades do dia a dia.

O estudo reforça que a aptidão física pode funcionar como um retrato da reserva fisiológica — e talvez como um verdadeiro sinal vital do envelhecimento.

A boa notícia é que essa reserva não é completamente determinada pela idade. Ela pode ser avaliada, estimulada e acompanhada.

Em vez de perguntar apenas “quais doenças essa pessoa tem?”, talvez também devêssemos perguntar:

O que o corpo dela ainda consegue fazer — e o que podemos ajudá-la a recuperar?

Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.

Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.

Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:

 

Tags: No tags

Leave A Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.