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Deficiência de ferro sem anemia: o que a nova diretriz muda e por que isso importa para mulheres com lipedema

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Seu hemograma está normal, mas você continua sentindo cansaço, dificuldade de concentração ou queda de cabelo? Esses sintomas podem ter diferentes causas, e uma delas merece atenção: a deficiência de ferro, que pode existir mesmo sem anemia.

A nova diretriz da Sociedade Americana de Hematologia (ASH), publicada em 2026, reforça a importância de reconhecer essa deficiência mais cedo. O documento atualiza os critérios de diagnóstico e destaca uma mensagem essencial: não é preciso esperar a hemoglobina cair para investigar a falta de ferro.

Ferro baixo e anemia não são a mesma coisa

O ferro participa do transporte de oxigênio, da produção de energia e do funcionamento de diversos tecidos. A anemia por deficiência de ferro aparece quando a falta desse mineral compromete a produção de hemoglobina, a proteína dos glóbulos vermelhos que transporta oxigênio.

Entretanto, as reservas de ferro podem diminuir antes que o hemograma apresente alterações. Nessa fase, chamada de deficiência de ferro sem anemia, algumas pessoas já apresentam sintomas.

Por isso, um hemograma normal não exclui deficiência de ferro. A ferritina, exame utilizado para avaliar as reservas desse mineral, tem papel importante nessa investigação.

O que muda com a nova diretriz?

A ASH propõe limites de ferritina que permitem reconhecer mais casos de deficiência de ferro. Para adultos e pessoas que menstruam, a diretriz sugere ferritina igual ou inferior a 30 ng/mL, em vez de limitar o diagnóstico a valores iguais ou inferiores a 15 ng/mL.

Em pessoas que menstruam e apresentam sangramento excessivo, sintomas sugestivos, outros fatores de risco, cirurgia programada ou planejamento de gravidez, ferritina igual ou inferior a 50 ng/mL pode ser um critério apropriado para diagnosticar deficiência e orientar a conduta. Esse limite também pode ser aplicado a outros adultos com sintomas ou fatores de risco.

Nas gestantes, o limite sugerido é de 30 ng/mL; quando há anemia, pode ser apropriado considerar 50 ng/mL.

Isso significa que um resultado classificado como “normal” pelo laboratório pode precisar de outra interpretação conforme os sintomas, as perdas menstruais e o contexto clínico.

Esses números são critérios de diagnóstico, não metas universais de tratamento. A maioria das recomendações é condicional e se apoia em evidências de baixa certeza, o que torna a avaliação individual indispensável.

Por que essa mudança é especialmente relevante para mulheres com lipedema?

O estudo Prevalência e fatores de risco para lipedema no Brasil, publicado em 2022, trouxe um achado que merece atenção: 41,9% das mulheres com rastreamento sugestivo de lipedema relataram anemia, contra 17,5% das demais participantes.

Essa frequência foi aproximadamente 2,4 vezes maior no grupo com sintomas sugestivos de lipedema. O levantamento incluiu 253 mulheres, das quais 31 apresentaram alta probabilidade de diagnóstico pelo questionário utilizado.

O achado reforça a importância de investigar o problema. Como a deficiência de ferro pode existir antes da anemia, é plausível que outras mulheres com lipedema tenham reservas reduzidas de ferro sem que isso apareça no hemograma.

Ainda não sabemos quantas são. A hipótese de que exista uma parcela adicional de mulheres com deficiência de ferro sem anemia é relevante, mas precisa ser confirmada por estudos com avaliação laboratorial.

A importância do ferro para o cabelo e a tireoide

As consequências da deficiência de ferro podem ir além do cansaço.

Na saúde capilar, alguns estudos encontraram associação entre reservas reduzidas de ferro e queda difusa de cabelo. Entretanto, os resultados não são uniformes: queda capilar tem diversas causas, e repor ferro não garante melhora quando a deficiência não é o fator responsável. A investigação deve considerar o conjunto da história clínica.

O estado do ferro também se relaciona à função tireoidiana. Um estudo com mulheres em idade reprodutiva, incluindo gestantes e não gestantes, encontrou níveis menores de T4 livre nas participantes com deficiência de ferro. Essa associação merece atenção, mas não permite concluir que toda alteração da tireoide seja causada por falta de ferro ou que a reposição substitua o tratamento de uma doença tireoidiana.

Para mulheres com lipedema, isso significa que queixas como fadiga e queda de cabelo merecem investigação própria, sem serem automaticamente atribuídas ao lipedema.

E quando existe inflamação?

“A ferritina pode aumentar em situações inflamatórias e, por isso, um resultado aparentemente adequado nem sempre exclui deficiência de ferro. Para adultos com anemia da inflamação, a diretriz recomenda avaliar a ferritina junto com a saturação de transferrina, um indicador da disponibilidade de ferro no sangue. Nesse contexto, saturação abaixo de 20% ou ferritina abaixo de 100 ng/mL podem indicar deficiência, dependendo da avaliação clínica. Esses critérios não devem ser aplicados automaticamente a toda mulher com lipedema. É necessário avaliar se existe inflamação relevante, anemia e outras condições associadas.” – Ressalta o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

O que isso muda no cuidado?

A nova diretriz reforça uma abordagem mais atenta aos sintomas e aos fatores de risco. Menstruação intensa, alimentação restritiva, dificuldades de absorção e histórico de cirurgia bariátrica, por exemplo, devem fazer parte da investigação.

Quando a deficiência é identificada, o cuidado envolve tanto a reposição quanto a busca de sua causa. A escolha do tratamento depende dos exames, dos sintomas, da tolerância e das condições de cada paciente.

Para mulheres com lipedema, a mensagem é particularmente importante: um hemograma normal não encerra a investigação de deficiência de ferro. Avaliar adequadamente as reservas desse mineral pode ajudar a reconhecer uma condição tratável que interfere no bem-estar e que pode passar despercebida quando se procura apenas anemia.

Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.

Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.

Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:
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