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Selfies podem estar mudando a forma como enxergamos o nosso nariz?

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A rinoplastia está entre as cirurgias plásticas mais realizadas no mundo. Segundo o levantamento global de 2024 da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), o Brasil ocupa a liderança mundial nesse procedimento, com mais de 100 mil rinoplastias realizadas no período analisado.

Existem diversos fatores que podem explicar essa procura. Entre eles, está a exposição cada vez mais frequente à própria imagem nas redes sociais. Fotografias, vídeos, chamadas virtuais e, principalmente, selfies fizeram com que passássemos a observar o rosto com uma frequência sem precedentes.

Mas existe um problema importante: a imagem produzida pela câmera frontal do celular pode não representar fielmente a nossa aparência.

O “efeito selfie” sobre o nariz

Um estudo publicado no periódico JAMA Facial Plastic Surgery demonstrou que fotografias feitas a curta distância provocam uma distorção das proporções faciais.

Quando a câmera é posicionada a aproximadamente 30 centímetros do rosto — uma distância comum ao tirar uma selfie — o nariz fica mais próximo da lente do que as demais estruturas faciais. Como consequência, ele parece proporcionalmente maior.

De acordo com o modelo desenvolvido pelos pesquisadores, uma selfie feita a essa distância pode aumentar o tamanho percebido do nariz em cerca de 29% nas mulheres e 30% nos homens, em comparação com uma imagem sem essa distorção.

Já nas fotografias realizadas a aproximadamente 1,5 metro de distância, como ocorre nos retratos tradicionais, praticamente não existe alteração perceptível no tamanho do nariz.

Isso significa que o nariz observado em uma selfie tirada de perto não corresponde necessariamente ao nariz que as outras pessoas enxergam.

Das fotografias de artistas às próprias selfies

Durante muito tempo, era comum que pacientes chegassem aos consultórios levando fotografias de atrizes, modelos ou outras personalidades. Elas desejavam um nariz semelhante ao de alguém considerado uma referência de beleza.

Hoje, o comportamento mudou. Muitas mulheres apresentam as próprias selfies e solicitam alterações baseadas naquilo que enxergam na tela do celular.

À primeira vista, usar a própria fotografia como referência pode parecer mais realista. Entretanto, quando a imagem foi produzida a uma distância muito curta, o pedido pode estar baseado em proporções que não existem na realidade.

O próprio artigo cita uma pesquisa da Academia Americana de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva Facial na qual 42% dos cirurgiões participantes disseram ter atendido pacientes interessados em procedimentos estéticos para melhorar sua aparência em selfies e fotografias publicadas nas redes sociais.

Esses dados não provam, isoladamente, que as selfies sejam responsáveis pelo crescimento da rinoplastia. No entanto, indicam que elas podem influenciar a percepção da aparência e contribuir para a procura por intervenções estéticas.

Quando uma distorção pode influenciar uma decisão real

“O principal risco é transformar uma alteração produzida pela câmera em uma insatisfação verdadeira com o próprio corpo. Uma mulher pode acreditar que seu nariz é muito largo ou desproporcional quando, na realidade, está observando repetidamente uma imagem distorcida. A partir dessa percepção, ela pode começar a considerar uma cirurgia que talvez não desejasse ao se enxergar de maneira mais fiel. Vejo a mesma situação nas mulheres com lipedema que as vezes valorizam fotografias em ângulos ou iluminação que não favorecem elas.” – Alerta o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

A rinoplastia pode trazer benefícios estéticos, funcionais e emocionais quando possui uma indicação adequada e expectativas realistas. Ainda assim, continua sendo um procedimento cirúrgico. Como qualquer cirurgia, envolve recuperação, limitações e possibilidade de complicações. Além disso, o resultado definitivo não pode ser simplesmente desfeito caso a paciente descubra que sua insatisfação estava relacionada à autoimagem ou à distorção fotográfica.

Por isso, uma decisão cirúrgica nunca deve ser tomada com base apenas em selfies, filtros ou comentários recebidos nas redes sociais.

Como produzir uma fotografia mais fiel

Antes de avaliar a aparência do nariz em uma imagem, é importante observar como a fotografia foi produzida.

Para reduzir a distorção, o ideal é posicionar a câmera mais distante do rosto e utilizar o zoom, se necessário, para fazer o enquadramento. Fotografias tiradas a cerca de 1,5 metro proporcionam uma representação mais próxima das proporções reais do rosto do que uma selfie feita com o braço estendido.

Também é importante avaliar diferentes ângulos, observar fotografias não filtradas e comparar essas imagens com a aparência no espelho.

Filtros de beleza merecem atenção especial. Eles podem afinar o nariz, modificar a ponta, aumentar os olhos e alterar o contorno facial de forma automática. Com o uso repetido, existe o risco de a pessoa se acostumar com uma versão artificial do próprio rosto e passar a considerar sua aparência natural inadequada.

A importância de uma avaliação responsável

Uma consulta para rinoplastia não deve se limitar à escolha de um formato de nariz. O profissional precisa avaliar as proporções do rosto, a anatomia nasal, a respiração, as expectativas da paciente e as razões que motivaram a procura pela cirurgia.

Também é importante compreender que não existe um nariz ideal que possa ser aplicado a todas as pessoas. O resultado deve respeitar as características individuais e manter equilíbrio com as demais estruturas da face.

Quando o desejo de operar surgiu após o uso intenso de selfies ou filtros, essa influência precisa ser discutida abertamente durante a consulta. Em algumas situações, pode ser prudente adiar a decisão e permitir uma reflexão mais cuidadosa sobre as expectativas.

A câmera pode mudar a imagem, mas a cirurgia muda o nariz de verdade

As redes sociais modificaram profundamente a maneira como observamos e apresentamos nossa aparência. Hoje, não nos comparamos apenas com celebridades: também nos comparamos com versões alteradas de nós mesmos.

O “efeito selfie” mostra que até mesmo uma fotografia sem filtro pode transmitir uma imagem enganosa. A curta distância entre o rosto e a câmera é suficiente para fazer o nariz parecer significativamente maior.

Antes de considerar uma rinoplastia, portanto, é fundamental perguntar: estou insatisfeita com o meu nariz real ou com a imagem que a câmera criou?

Essa reflexão não pretende desvalorizar o desejo legítimo de realizar uma cirurgia plástica. Seu objetivo é garantir que uma decisão permanente seja baseada na realidade, em expectativas possíveis e em uma avaliação médica cuidadosa — e não em uma distorção produzida pela lente do celular.

Referências

WARD, Brittany et al. Nasal Distortion in Short-Distance Photographs: The Selfie Effect. JAMA Facial Plastic Surgery, 2018.

INTERNATIONAL SOCIETY OF AESTHETIC PLASTIC SURGERY. ISAPS International Survey on Aesthetic/Cosmetic Procedures Performed in 2024.

Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.

Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.

Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:
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