vitaminas-e-suplementos-sistema-imunologico-dr-daniel-benitti-cirurgiao-vascular-campinas

Cuidado com o que você toma

Rate this post

Um suplemento amplamente utilizado para aliviar dores nas articulações pode estar associado à progressão mais rápida da doença de Alzheimer, segundo uma nova pesquisa da Universidade da Flórida.

Um recente estudo constatou que pessoas com comprometimento cognitivo leve que relataram usar glucosamina apresentaram maior probabilidade de desenvolver demência do que aquelas que não utilizavam o suplemento. Os pesquisadores também encontraram indícios de que a substância pode interferir em processos biológicos cerebrais que já estão alterados na doença de Alzheimer.

Publicados na revista Nature Metabolism, os resultados combinam uma ampla análise de prontuários médicos com estudos avançados de imagem de tecido cerebral humano e experimentos em modelos de Alzheimer em camundongos.

Os dados não demonstram que a glucosamina cause demência e ainda precisam ser confirmados em ensaios clínicos. Entretanto, segundo os autores, reforçam as evidências de que alterações no metabolismo desempenham um papel importante nas doenças neurodegenerativas.

Milhares de pessoas vivem com Alzheimer. Milhões de outras têm demências relacionadas, como a demência com corpos de Lewy e a frontotemporal. Muitas dessas pessoas utilizam um suplemento vendido sem receita que, possivelmente, pode agravar a progressão da doença.

Uso de glucosamina e risco de demência

Como a glucosamina é amplamente disponível e frequentemente utilizada por idosos para cuidar da saúde das articulações, os pesquisadores decidiram investigar sua possível influência sobre o Alzheimer e outras demências relacionadas.

A equipe utilizou inteligência artificial para analisar prontuários da UF Health coletados entre 2012 e 2024, sem informações que permitissem identificar os pacientes. A análise se concentrou em pessoas diagnosticadas com Alzheimer e demências relacionadas ou com comprometimento cognitivo leve.

O uso de glucosamina foi relatado por 1.896 pacientes com Alzheimer ou demências relacionadas e por 2.750 com comprometimento cognitivo leve, correspondendo a aproximadamente 8% de cada grupo.

Após considerar fatores como idade, sexo e características demográficas, os pesquisadores verificaram que o uso do suplemento estava associado a uma probabilidade 25% maior de pessoas com comprometimento cognitivo leve desenvolverem demência posteriormente.

Entre os pacientes já diagnosticados com Alzheimer ou demências relacionadas, o uso de glucosamina também foi associado a um aumento de 25% no risco de morte. Esse aumento não foi observado no grupo com comprometimento cognitivo leve, o que sugere que os possíveis efeitos do suplemento podem variar conforme o estágio da doença.

Uma via metabólica que pode ajudar a explicar a associação

O estudo identificou um processo biológico que pode estar envolvido nessa relação: uma via responsável pela adição de estruturas de açúcar às proteínas parece apresentar atividade excessiva na doença de Alzheimer. Segundo os pesquisadores, esse mecanismo pode se tornar um alvo para novos tratamentos.

Os resultados sugerem que as alterações metabólicas contribuem de forma significativa para a progressão do Alzheimer. Corrigir essas alterações poderia complementar as abordagens voltadas às placas e aos emaranhados característicos da doença.

A descoberta foi possível graças a uma tecnologia avançada de análise espacial desenvolvida em laboratório. Essa ferramenta permite examinar milhares de moléculas produzidas durante a decomposição de alimentos ou medicamentos pelo organismo e identificar vias complexas que, de outra forma, permaneceriam ocultas.

Como a glucosamina pode atuar no cérebro

Os pesquisadores concentraram a investigação na glucosamina por ser uma molécula relacionada aos açúcares, presente naturalmente no organismo e capaz de atravessar a barreira hematoencefálica. No cérebro, ela pode participar de vias bioquímicas envolvidas na formação de estruturas complexas de açúcar ligadas às proteínas. Os suplementos comerciais costumam ser produzidos a partir de matérias-primas como cascas de crustáceos ou milho.

Os resultados indicam que os efeitos da glucosamina podem depender fortemente do ambiente biológico em que ela atua.

Embora revelem uma associação e não comprovem causalidade, levantam uma questão clínica importante que merece investigação mais aprofundada.

O cérebro de pessoas com Alzheimer pode ser particularmente vulnerável a alterações nessa via, em comparação com o tecido cerebral saudável.

Resultados em camundongos e tecido cerebral humano

Experimentos com camundongos geneticamente modificados forneceram evidências adicionais para a hipótese.

Os pesquisadores observaram que a glucosamina aumentou significativamente a ligação de moléculas de açúcar às proteínas dentro das células. Os animais que receberam a substância também apresentaram piora nos déficits de memória social, capacidade de reconhecer e lembrar outros indivíduos.

Quando essa atividade de adição de açúcares foi reduzida por meios químicos, o desempenho da memória melhorou.

Em colaboração com Stefan Prokop, a equipe também examinou amostras de tecido cerebral humano do Banco de Cérebros e Tecidos de Neuromedicina da Universidade da Flórida. Em comparação com amostras de pessoas saudáveis, os tecidos de pessoas com Alzheimer apresentaram níveis consideravelmente mais altos de açúcares ligados às proteínas.

Em conjunto, os achados sugerem que essa alteração metabólica pode contribuir ativamente para a doença, em vez de ser apenas uma consequência dela.

“As proteínas funcionam como máquinas moleculares das células. Muitas precisam receber estruturas de açúcar na medida adequada para adquirir a forma correta, chegar ao local apropriado e desempenhar suas funções. No Alzheimer, esse sistema parece estar excessivamente ativo: o cérebro adiciona estruturas de açúcar em excesso, o que pode contribuir para a doença em vez de oferecer proteção.” – Finaliza o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).

Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.

Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.

Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:
Tags: No tags

Leave A Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.