
Quando pensamos nas doenças que mais assustam as pessoas, duas aparecem com frequência: câncer e demência.
Tememos perder a saúde, a autonomia, a memória e a própria identidade.
Por isso fazemos exames, rastreamentos e buscamos conhecer nossos riscos genéticos.
Mas existe um fator presente diariamente na vida de milhões de pessoas e que raramente recebe a mesma atenção: o estresse crônico.
Não estou falando do estresse pontual, que faz parte da fisiologia normal. O problema é viver semanas, meses ou anos em estado permanente de alerta.
O cérebro sente essa sobrecarga
Um estudo do Framingham Heart Study, com mais de 2.200 adultos sem demência e idade média de 48,5 anos, encontrou que níveis mais altos de cortisol estavam associados a pior memória, pior percepção visual, menor volume cerebral e alterações na substância branca.
E houve um achado particularmente importante nas mulheres: cortisol mais elevado esteve associado a menor volume cerebral total no sexo feminino, associação que não apareceu nos homens.
Isso não significa que cortisol cause demência. O próprio estudo foi transversal e não permite estabelecer causalidade.
Além disso, outro estudo longitudinal de 10 anos mostrou que a relação entre cortisol e cognição é complexa: em determinadas análises, níveis mais altos de cortisol ao longo do dia se associaram a melhor desempenho cognitivo posterior, sugerindo que uma resposta dinâmica ao estresse pode ser fisiológica e adaptativa.
O problema, portanto, não é o cortisol em si. É a desregulação crônica do sistema de estresse.
E o câncer?
Também seria incorreto afirmar que “estresse causa câncer”.
Mas uma revisão publicada em 2026 mostrou que o estresse crônico pode participar de processos biologicamente relevantes para o desenvolvimento e progressão tumoral, incluindo:
- inflamação persistente;
- redução da vigilância imunológica;
- ativação β-adrenérgica;
- alterações celulares relacionadas ao dano e reparo do DNA.
A evidência epidemiológica ainda é heterogênea. Algumas análises mostram associação entre eventos de vida estressantes e câncer de mama, enquanto outras não encontram relação consistente.
Ou seja: existe plausibilidade biológica, mas não uma relação simples de causa e efeito.
Mulheres com BRCA merecem atenção especial
Um estudo publicado no British Journal of Cancer avaliou mulheres portadoras de mutações BRCA1/2.
Nos experimentos celulares, o cortisol aumentou dano ao DNA e pareceu interferir no processo de reparação. Em células com deficiência de BRCA, parte desse dano persistiu por mais tempo.
Na análise clínica, mulheres portadoras de BRCA1/2 com níveis persistentemente mais altos de cortisol apresentaram maior incidência de câncer de mama. Em uma das análises, o risco foi cerca de 2,4 vezes maior no grupo acima do limiar estudado.
Mas é importante ressaltar que a amostra era pequena, o estudo era retrospectivo e tinha limitações importantes. Portanto, esse resultado não pode ser extrapolado para todas as mulheres.
A mensagem mais importante
Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.“ Talvez o erro seja tratar o estresse crônico apenas como um problema emocional. Ele conversa com cérebro, imunidade, inflamação, metabolismo, sistema cardiovascular e mecanismos de dano celular. Os estudos não permitem afirmar que estresse cause câncer ou demência. Mas também não parece correto considerá-lo biologicamente irrelevante. Por isso, sono adequado, atividade física, vínculos sociais, tempo de recuperação e cuidado com a saúde mental não deveriam ser vistos como luxo. As pessoas fazem check-ups mas esquecem de se perguntar o que estão fazendo para que o seu organismo não viva permanentemente em estado de ameaça?” – Finaliza o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).
Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.
Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:

Leave A Comment