
Um recente estudo investigou se o chamado mindful parenting (“parentalidade consciente”) está associado a menores níveis de ansiedade e depressão em adolescentes
Os autores também quiseram responder uma pergunta importante:
O mindful parenting acrescenta algo além dos estilos tradicionais de educação dos filhos?
Ou seja, mesmo controlando fatores como:
- acolhimento parental
- controle comportamental
- controle psicológico
- incentivo à autonomia
- ansiedade e depressão dos pais
o mindful parenting ainda teria impacto?
Contexto
A adolescência é um período marcado por aumento importante de:
- ansiedade
- tristeza
- sintomas depressivos
Na Holanda, aproximadamente 17% dos adolescentes entre 12 e 17 anos apresentam sintomas de ansiedade ou depressão. Além disso, mais da metade dos adultos com depressão ou transtornos de ansiedade já apresentava sintomas antes dos 15 anos.
Tradicionalmente, os estudos sobre parentalidade focavam em dimensões como:
responsividade
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Entretanto, surgiu um novo conceito:
Mindful Parenting
Baseado nos princípios do mindfulness.
O que é Mindful Parenting?
Segundo os autores, trata-se da capacidade do pai ou da mãe de estar plenamente presente na relação com o filho, trazendo atenção, aceitação e compaixão para as interações.
Foram avaliadas seis dimensões:
1. Escutar com atenção plena
Ouvir realmente o filho, percebendo palavras, tom de voz, linguagem corporal e emoções.
2. Compaixão pelo filho
Responder com gentileza quando o filho sofre.
3. Aceitação não julgadora do próprio papel como pai/mãe
Não se culpar excessivamente pelos próprios erros.
Aceitar que ninguém é perfeito.
4. Não reagir impulsivamente
Conseguir fazer uma pausa antes de responder emocionalmente.
5. Consciência emocional do filho
Perceber quando ele está triste, preocupado ou sofrendo.
6. Consciência das próprias emoções
Reconhecer o que está sentindo antes de agir.
Desenho do estudo
Estudo observacional transversal.
Participaram:
- 901 adolescentes
- média de idade: 13,4 anos
- 46,8% meninas
Além disso:
- 901 pais (94% mães) responderam aos questionários.
Avaliações realizadas
Nos adolescentes:
- sintomas depressivos
- sintomas de ansiedade
Nos pais:
- ansiedade
- depressão
- estilo parental tradicional
- mindful parenting
Os pesquisadores ajustaram a análise para idade, sexo, escola frequentada e sintomas emocionais dos pais.
Hipótese
Os autores esperavam que todas as dimensões do mindful parenting estivessem associadas a menores níveis de ansiedade e depressão nos adolescentes.
Resultados
O resultado foi surpreendente.
Das seis dimensões avaliadas, apenas uma permaneceu significativamente associada à saúde mental dos adolescentes:
Aceitação não julgadora do próprio papel parental.
O que significa isso?
Pais que:
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tendem a ter filhos com:
- menos ansiedade
- menos sintomas depressivos.
O que não apresentou associação independente?
Após controlar as demais variáveis:
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não permaneceram associados de forma independente aos sintomas emocionais dos adolescentes.
Por que isso acontece?
Os autores fazem uma ligação interessante.
A aceitação não julgadora do próprio desempenho como pai ou mãe é muito semelhante ao conceito de:
Autocompaixão (Self-compassion)
Pais mais autocompassivos:
- são menos autocríticos;
- reconhecem que errar faz parte da experiência humana;
- lidam melhor com as próprias emoções.
Esses pais podem servir de modelo para que os filhos também desenvolvam uma postura mais compassiva consigo mesmos.
Outro achado importante
Pais com:
- depressão
- ansiedade
apresentaram níveis mais baixos de mindful parenting em praticamente todas as dimensões.
Ou seja:
quanto pior a saúde mental dos pais,
menor a capacidade de exercer uma parentalidade consciente.
E os estilos parentais tradicionais?
Curiosamente, quando os pesquisadores ajustaram o modelo estatístico para todas as variáveis, dimensões clássicas como:
- responsividade
- controle comportamental
- controle psicológico
- apoio à autonomia
não explicaram adicionalmente os sintomas de ansiedade e depressão dos adolescentes nessa amostra.
Limitações
Os autores reconhecem várias limitações:
Estudo transversal
Não permite afirmar causa e efeito.
Talvez adolescentes emocionalmente saudáveis facilitem que os pais se sintam melhores como pais, e não necessariamente o contrário.
Predomínio de mães
94% dos questionários foram respondidos por mães.
Amostra de alta escolaridade
Houve super-representação de famílias com maior nível educacional.
Baixa prevalência de sintomas
Era uma população geral, não clínica.
Autoavaliação
Os próprios pais avaliaram seu comportamento, o que pode gerar viés de desejabilidade social.
Principais conclusões
Para consulta e agendamento com o Dr. Daniel Benitti em Campinas, ligue para (19) 3233-4123 ou (19) 3233-7911.“ O estudo sugere que o componente mais importante do mindful parenting pode não ser apenas prestar mais atenção ao filho, mas sim desenvolver uma postura mais gentil e menos crítica em relação ao próprio papel como pai ou mãe. Isso é fundamental para as mulheres com lipedema. Pais que conseguem aceitar suas imperfeições parecem criar um ambiente emocional que se associa a menores níveis de ansiedade e depressão nos filhos adolescentes. Em vez de buscar uma perfeição inalcançável na criação dos filhos, cultivar autocompaixão, reconhecer os próprios limites e reduzir a autocrítica pode ser um dos elementos mais relevantes de uma parentalidade saudável. “ – Analisa o Dr. Daniel Benitti, cirurgião vascular formado pela USP com ênfase no tratamento do Lipedema que atende em São Paulo, Campinas e a distância (online).
Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.
Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:


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