
Um recente artigo traz uma análise extremamente profunda e humana sobre a experiência da menopausa. Diferente de estudos quantitativos tradicionais, os autores utilizaram uma abordagem fenomenológica para entender como mulheres vivenciam emocionalmente, psicologicamente e socialmente a menopausa.
Objetivo do estudo
O estudo buscou explorar:
- como mulheres percebem os sintomas da menopausa
- como esses sintomas afetam identidade, autoestima e saúde mental
- como ocorre a busca por ajuda médica
- e como as mulheres atribuem significado a essa fase da vida
Os autores destacam que existe pouca pesquisa fenomenológica aprofundada sobre o tema, apesar da menopausa impactar milhões de mulheres no mundo.
Metodologia
Foi realizado um estudo qualitativo com:
- 4 mulheres britânicas
- entre 47 e 60 anos
- peri-menopáusicas ou pós-menopáusicas
As participantes:
- produziram fotografias representando sua experiência com a menopausa
- participaram de entrevistas profundas semi-estruturadas
A análise utilizada foi a:
IPA – Interpretative Phenomenological Analysis
Uma metodologia focada em:
- subjetividade
- significado emocional
- construção de identidade
- sofrimento existencial
Principais achados
Os autores identificaram 4 grandes temas centrais.
1. “À deriva em um mar de confusão”
“Estou desmoronando e não sei por quê”
Esse foi o principal eixo emocional do estudo.
As mulheres descrevem:
- sensação de perda de controle
- estranheza com o próprio corpo
- sintomas imprevisíveis
- medo de estar “ficando doentes”
- ansiedade intensa
- sensação de desintegração da identidade
Muitas não associavam inicialmente os sintomas à menopausa.
Sintomas relatados
Além dos clássicos:
- fogachos
- suor noturno
foram descritos:
- dores articulares
- olhos secos
- coceira vaginal
- perda de libido
- fadiga
- névoa mental (“brain fog”)
- alterações cognitivas
- ganho de peso
- piora do sono
- ansiedade
- sensação de envelhecimento acelerado
Um dos pontos mais fortes do artigo:
a menopausa foi frequentemente confundida com outras doenças
As participantes acreditavam estar desenvolvendo:
- demência
- depressão
- doenças cardíacas
- diabetes
- doenças ginecológicas
- problemas neurológicos
“Ninguém me ouviu”
O artigo enfatiza fortemente o conceito de:
injustiça epistêmica
Ou seja:
a mulher relata sintomas reais
![]()
![]()
![]()
As participantes relataram:
- médicos despreparados
- foco excessivo apenas em fogachos
- desconhecimento sobre a enorme variedade de sintomas
- demora diagnóstica
- prescrição inadequada de antidepressivos
- sensação de abandono
Uma participante chegou a desenvolver:
- baixa autoestima
- desesperança
- pensamentos suicidas
2. “Planejando águas desconhecidas”
O alívio do diagnóstico
Quando as mulheres finalmente entendiam que os sintomas eram da menopausa, surgia:
- alívio
- validação
- sensação de não estar “louca”
Muitas precisaram:
- estudar sozinhas
- ouvir podcasts
- procurar grupos femininos
- levar artigos ao médico
- defender sua própria hipótese diagnóstica
O estudo critica diretamente a falta de preparo médico
As autoras afirmam que:
- profissionais não reconhecem a amplitude dos sintomas
- mulheres precisam “provar” que estão na menopausa
- isso gera sofrimento evitável
3. “Seguir o fluxo”
Aceitação do novo corpo e identidade
As participantes começaram gradualmente a:
- aceitar as mudanças corporais
- redefinir feminilidade
- aceitar o envelhecimento
- abandonar guerras internas contra o próprio corpo
Ganho de peso
O ganho de peso apareceu repetidamente:
- pior autoestima
- sensação de invisibilidade
- medo de perder atratividade
- dificuldade de reconhecer o próprio corpo
Mas algumas mulheres passaram a enxergar isso com menos hostilidade.
Uma delas descreve:
“não quero mais estar em guerra com meu corpo”
4. “Em direção a águas mais calmas”
Transformação e reconstrução
Apesar do sofrimento, muitas mulheres relataram:
- crescimento pessoal
- redescoberta da criatividade
- coragem para mudar relacionamentos
- reconstrução da identidade
- fortalecimento emocional
O paradoxo central do artigo
A menopausa foi descrita simultaneamente como:
![]()
![]()
e
![]()
![]()
As mulheres relataram:
- perda de identidade
- mas também redescoberta de si mesmas
Uma participante resume isso perfeitamente:
“Achei que perderia quem eu era… mas do outro lado eu me reencontrei.”
Crítica social importante
O estudo mostra que mulheres mais velhas:
- sentem-se invisíveis
- menos valorizadas
- menos desejadas socialmente
- menos “úteis” após o fim da fertilidade
Isso impacta:
- autoestima
- sexualidade
- identidade feminina
- saúde mental
Conclusões dos autores
Os autores concluem que:
A menopausa é uma grande questão de saúde pública.
E que existe:
- subdiagnóstico
- desinformação
- despreparo médico
- sofrimento psicológico evitável
Principais mensagens finais
O estudo defende:
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Interpretação fenomenológica importante
Os autores afirmam que a menopausa:
não é apenas perda hormonal.
Ela representa:
- transição existencial
- reconstrução de identidade
- mudança da percepção corporal
- confronto com envelhecimento
- redefinição do papel feminino na sociedade
Mensagem central do artigo
A menopausa não destrói apenas o corpo.
Ela pode abalar:
- identidade
- autoestima
- cognição
- sexualidade
- relações sociais
- sentido de si mesma
Mas também pode:
- reconstruir
- fortalecer
- amadurecer
- libertar.
Para consultas com o Dr. Daniel Benitti em São Paulo, ligue para (11) 3081-6851.
Caso prefira, entre em contato diretamente com ele via e-mail:


Leave A Comment